A ausência de um patrocinador e o que isso acarreta - falta de tempo e de recursos para uma preparação adequada -, além de algumas contusões, tiram o campeão olímpico do judô, o meio-pesado Aurélio Miguel, de 35 anos, da disputa da seletiva e, consequentemente, dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em julho e agosto, no Canadá.
Aurélio (foto), que tem a medalha de ouro do Pan de Indianápolis (1987) e a de prata conquistada em Caracas (1983), além de sete títulos em pan-americanos de judô, não vai participar da seletiva da modalidade, sábado e domingo, no ginásio da Hebraica, no Rio de Janeiro.
Além da falta de patrocínio, Aurélio começou a enfrentar problemas físicos em janeiro. Teve uma contusão na coxa direita, seguida de uma fratura no dedinho do pé esquerdo e de uma forte gripe durante o Circuito Europeu. ‘‘Com a cabeça no lugar, em sã consciência, sei que não devo competir, embora meu coração diga o contrário’’, afirma Aurélio Miguel.
O judoca perdeu o patrocínio da Embratel em dezembro de 1998. Ainda tem o apoio da prefeitura de São Caetano do Sul, insuficiente para a preparação que julga necessária, que incluiria um estágio no Japão. ‘‘Por causa das contusões, se eu conseguisse a vaga no fim de semana teria de seguir para o Japão, mas não tenho recursos para atualizar meus treinamentos.’’
Aurélio tem dedicado parte de seu tempo à administração dos negócios pessoais - tem uma loja de material esportivo. ‘‘Não adianta remar contra a mar钒, diz. ‘‘Queria ir ao Pan-Americano, mas para ganhar medalha’’, comenta. ‘‘Não tenho conseguido me dedicar integralmente ao judô, pois tenho família, dois filhos e preciso cuidar dos negócios’’, prossegue. ‘‘Sem patrocinador, a preparação está em risco.’’

mockup