O Lago Igapó, um dos principais cartões-postais de Londrina, é também palco diário de treinos para modalidades náuticas. A equipe Rema Londrina, comandada pelo técnico Gelson Moreira, acumula conquistas nacionais e internacionais e, no último fim de semana, trouxe sete medalhas nos Jogos Paradesportivos do Paraná (Parajaps). Mesmo assim, o grupo enfrenta dificuldades que, segundo o treinador, afetam o rendimento e colocam em risco a segurança dos atletas.

Em entrevista à FOLHA, Gelson relatou que o lago atravessa um longo período sem manutenção adequada. “Deve ser um recorde de tempo sem os barqueiros responsáveis pela limpeza, que inclui retirar lixo, algas, alfaces-d’água e troncos. Isso ocorre desde agosto do ano passado, e a Prefeitura não apresentou um plano B que auxilie nesse serviço. Até retiram algumas alfaces-d’água, mas de forma precária. E os troncos já estão há algum tempo sem ser removidos”, afirmou.

Em setembro de 2025, a Prefeitura realizou uma limpeza emergencial após o rompimento do contrato com a empresa responsável pela manutenção dos lagos. A operação utilizou equipes e equipamentos próprios do município. Desde então, porém, nenhum novo contrato foi firmado e o trabalho não voltou a ser executado de forma regular.

Para Gelson, a falta de manutenção representa risco constante. “Esses troncos são perigosos porque ficam camuflados. Qualquer embarcação pode bater: os barcos a remo, como estão de costas, podem bater, as lanchas, os jet skis. Como ninguém limpa, sobra para mim. Quando chove, pego meu barco e passo duas, três horas retirando troncos. Alguns estão ali desde o ano passado: a chuva vem, o lago transborda e eles voltam para a água”, explicou.

Imagem ilustrativa da imagem Falta de manutenção no Igapó afeta treinos de remo e canoagem
| Foto: Gelson Moreira/Divulgação

O problema também afeta os equipamentos e coloca atletas em risco. “Quebra caiaque, leme, proa. É perigoso um paratleta virar. Temos uma equipe de paracanoagem, com medalhistas paralímpicos como Igor Tofalini (Paris-2024) e Giovane Vieira (Tóquio-2021). Temos também as mulheres do dragon boat, sobreviventes do câncer de mama, além do pessoal do remo e do caiaque. Muita gente de Londrina e de fora treina aqui, mas o poder público ainda não percebeu o potencial do lago”, acrescentou.

Segundo o treinador, o acúmulo de lixo nas bordas do Igapó agrava ainda mais o cenário. “É muito lixo, resíduos que poderiam ser retirados com limpeza constante. É uma série de problemas. São cuidados básicos que não estão sendo tomados. A Prefeitura não disponibiliza um barqueiro para esse trabalho, e a situação está caótica”, finalizou.

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CMTU

Por meio de nota enviada à FOLHA, a CMTU informou que mantém equipes próprias para a limpeza dos lagos e que trabalha na abertura de um novo processo de licitação. “A CMTU mantém equipes exclusivas para a limpeza e manutenção do Lago Igapó, do 1 ao 4, com serviços de roçagem, capina, limpeza de lixeiras e retirada de resíduos. Paralelamente, a Companhia atua internamente para abrir um novo processo licitatório para contratação de empresa especializada. O processo está na fase de Estudo Técnico Preliminar (ETP) e será concluído nas próximas semanas. Quanto aos ‘alfaces d’água’, a CMTU atua em conjunto com a Sema e, na última quinta, sexta e sábado, utilizou dois guindastes para retirar centenas de quilos da planta dos lagos 1, 2 e também do Aterro.”

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