O goleiro Adí é um dos mais experientes da equipe. Com experiência em Liga Futsal – atuando pelo Colégio Londrinense e pelo Cascavel –, conquistou três acessos na carreira. Foi campeão da Bronze em 2011 com o Londrinense, subiu para a Ouro com o Assaí em 2014 e foi vice-campeão – conquistando mais um acesso à Ouro – no ano seguinte, dessa vez com a Unifil.

Com história no esporte londrinense, o atleta convive desde sempre com a falta de recursos para a realização de trabalhos a longo prazo. "Na verdade, a falta de investimento acontece em vários outros esportes da cidade também. Ninguém está com dinheiro sobrando. Falta acreditarem no projeto, o Chico está tentando fazer voltar, assim como o basquete e o vôlei voltaram. A prefeitura, dependendo de quem esteja na direção, leva os recursos para quem está melhor. Hoje tem o basquete, vôlei, handebol. Hoje o futsal pega R$ 55 mil no ano, enquanto o handebol pega R$ 360 mil, é uma diferença absurda", comparou.

O problema é recorrente e o próprio Adí presenciou o fim da equipe da Unifil pela falta de recursos. Segundo relata, a equipe tinha uma proposta de dobrar a quantia que fosse repassada pela FEL para patrocinar o time em 2015, porém, a decisão da entidade na época surpreendeu.

"Nós subimos com a Unifil para a primeira divisão e no outro ano eles garantiram que dariam 100% em cima do que a prefeitura investisse no time. Ou seja, se eles dessem R$ 300 mil, a universidade dobraria, seriam R$ 600 mil. Mas o que (o poder público) preferiu fazer foi não dar nada para o futsal e dar R$ 360 mil para o handebol, porque o futsal tinha um patrocínio máster. A universidade, para nós jogarmos, dava muito mais que isso, a questão não era o salário, era que todo mundo estava registrado, sendo tratado como atleta, vivia como atleta, tinha condições de viajar, dormir e pensar em jogar. Infelizmente, o que falta é isso, investimento", explicou.

A falta de estabilidade faz com que a maioria dos atletas que estão disputando a Bronze cumpra jornadas diárias duplas ou triplas para complementar renda, já que nenhum está registrado e há apenas ajuda de custo do clube. Paulinho, capitão da equipe e remanescente do sub-20 que "varreu" a categoria em 2015 e 2016, é um dos que passam por isso. O atleta estuda pela manhã, treina no horário de almoço e sai de lá direto para o trabalho, chegando em casa apenas à noite.

"É corrido para mim e para grande parte da equipe. Eu trabalho, treino e estudo. Alguns treinam e trabalham, outros treinam e estudam, então nós vivemos assim, sempre muito corrido, tem que amar muito o esporte para levar assim. A gente pretende fazer boas campanhas, subir de divisão, fazer campanhas cada vez melhores, sermos mais profissionais. Londrina merece uma equipe de grande porte", disse o capitão. (M.C.)

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