Os jogadores do Londrina/TIM decidiram não participar do treino de ontem à tarde, previsto para acontecer no Ginásio Moringão. Segundo eles, não trata-se de uma greve, como a realizada na última terça-feira, em protesto ao atraso de salários que ultrapassa os dois meses. Dessa vez, a justificativa foi a falta de condições psicológicas para treinar. Os jogadores devem retornar hoje pela manhã aos treinamentos.
O ala-pivô Eduardo explicou que os problemas financeiros refletem diretamente no rendimento individual e coletivo do grupo. Ele próprio passou a tarde de ontem tentando vender seu carro para pagar contas pendentes. ''É difícil se concentrar nos treinos. Não há motivação para isso'', ressaltou.
Eduardo não esperava que a situação chegasse a um ponto tão crítico quando aceitou o convite para deixar São Caetano do Sul e se transferir para o Londrina/TIM. Na cidade paulista, além de jogar pelo clube local, o ala tinha um consultório odontológico. ''Acertamos por um valor menor do que eu esperava, pois tinha certeza de que o salário seria pago normalmente'', afirmou o jogador, que está com casamento marcado para junho.
O pivô David voltou a frisar que a situação está ficando insustentável. O jogador, que mora na mesma casa com os alas Guilherme e Charles, disse que a solução encontrada tem sido um ajudar o outro. ''Nós contamos com a ajuda de nossas famílias. A tia do Guilherme, por exemplo, fez uma compra no supermercado para nós'', contou.
A situação não é ainda mais caótica porque os jogadores continuam fazendo as refeições no Hotel do Lago, onde alguns moravam até algumas semanas. ''A questão não é apenas comer. Temos muitas dívidas para pagar. Não sei mais como fazer para contornar essa situação'', reclamou Guilherme.
O técnico Ênio Vecchi, que se reuniu com os jogadores por cerca de 30 minutos, explicou para eles a importância de continuarem treinando para os próximos compromissos no Campeonato Nacional de Basquete Masculino. O próximo jogo será na sexta-feira contra a Telemar, em Londrina. ''É difícil separar os problemas financeiros dos técnicos. Mas expliquei para eles que é importante manterem-se unidos e estarem treinando'', completou. Nos próximos dias, o time estará treinando somente em um período.
O diretor-técnico do Londrina/TIM, Vinícius Fontana Panerari, garantiu que entende a situação dos jogadores, mas discordou do cancelamento do treino. ''É um direito deles. Só considero discutível a forma de reivindicação. O efeito será muito pequeno, já que o pagamento depende de uma questão burocrática. O dinheiro da Fundação de Esportes sairá quando acabar a greve dos funcionários públicos'', esclareceu.
Segundo Panerari, a ausência nos treinos estará prejudicando os próprios jogadores. ''Será muito mais fácil reivindicar a liberação da verba, se os jogadores estiverem treinando e se dedicando a vencer os jogos'', concluiu.

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