A falta de dinheiro acabou com o sonho de muitos atletas londrinenses, que deixaram de disputar competições importantes. A verba repassada pela Fundação de Esportes de Londrina (FEL) R$ 2,8 milhões anuais não é suficiente e é preciso o complemento do setor privado. A maior parte vai para os esportes de rendimento, como basquete e handebol.
O Londrina Vôlei Clube (LVC), tradicional revelador de jogadoras, ficou de fora da Liga Nacional, que classifica duas equipes para Superliga feminina. A equipe precisava de R$ 12 mil para disputar a primeira fase da competição, que seria realizada em Curitiba. Nas seguintes, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) arcaria com as despesas. ''Fica difícil. Com R$ 12 mil teria condições de montar uma equipe que fizesse frente às grandes e tenho certeza de que faríamos um bom papel. Não adianta ter esporte de rendimento para ser saco de pancadas'', comentou o técnico Carlos Alberto Hipólito.
Para ele, faltam às equipes diretorias fortes, que façam um bom trabalho de marketing. ''Londrina tem potencial para manter esportes de alto rendimento, mas os empresários não têm o interesse porque não temos bons projetos com retorno de mídia e, quando surgem boas idéias, não temos quem às leve até eles. O basquete, por exemplo, já nasceu forte''.
Quem também viu o sonho ir por água abaixo por falta de dinheiro foi a equipe de triatlo da Associação Londrinense. Cinco atletas garantiram presença no Mundial de Duatlo, na Bélgica. O custo de cada um seria de R$ 3,5 mil. ''Até o futebol, que nunca teve problema com isso, está penando. A cidade perde muito atleta bom. Sem dinheiro e estrutura a gente consegue uma vaga num Mundial, mas não tem apoio para ir. Não dá para ficar no esporte só por amor'', lamenta o técnico Cosme Monteiro, um dos triatletas que deixaram de disputar o Mundial.
Situação semelhante vivem cinco taekwondistas londrinenses que se classificaram para o Mundial Júnior de Taekwondo, que será realizado de 12 à 18 de junho, em Suncheon, na Coréia do Sul, mas não têm os R$ 10 mil para pagar as despesas. ''Falta uma política mais eficiente neste sentido'', reclama o professor da Academia Pequeno Tigre e técnico dos taekwondistas, Clóvis Ayres. ''Os bingos ajudavam muito. Não estou questionando se é lavagem de dinheiro ou não. Mas eles ajudavam''.
De consolo, ficou a garantia de sua comandada, Natália Falavigna, na Olimpíada de Atenas. Ela será a única brasileira a disputar uma medalha no Taekwondo. (T.M.)

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