Londrina - O 5º lugar obtido por Luzia de Souza Pinto na última Corrida de São Silvestre foi expressivo para Londrina. Sesde 2002 - quando Adriana de Souza, de Ibiporã, foi vice-campeã - um atleta local não subia ao pódio na mais importante prova de rua da América Latina. Porém, na opinião da londrinense Cleuza Maria Irineu, melhor brasileira em 1998 e 1999, a corrida perdeu o glamour que tinha até os anos 1990, quando era povoada por europeus, norte-americanos e muitos sul-americanos - hoje resume-se quase só a brasileiros e quenianos. O motivo disso, segundo ela, foi o corte de cachês aos atletas de ponta no cenário mundial.
Cleuza, hoje com 43 anos, teve seu auge em 1998 e 1999, quando também se sagrou bicampeã da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte. Em 98, com 33 anos, patrocinada pela Fila, ela foi 5 na São Silvestre, chegando atrás de quatro estrangeiras: a eslovaca Olivera Jevtic, a equatoriana Martha Tenorio, a queniana Jane Ngotho e a chilena Erika Alejandro de la Fuente. Após ela, a segunda melhor brasileira foi Fabiana Silva, na 10 posição.
Já em 99 Cleuza ficou em 6º, mas também só superada por estrangeiras: as quenianas Lydia Cheromei, Delillah Asiago, Esther Kiplagat e suas rivais continentais Martha Tenorio e Erika de la Fuente. ''Comemorei muito na época porque era um tempo em que o nível era muito alto e a prova era realmente internacional, pois vinham corredoras da Itália, México, Estados Unidos, Iugoslávia e dos outros países da América do Sul. Hoje só vêm africanas'', compara Cleuza. Em 1999, por exemplo, entre as 11 primeiras, só ficaram outras duas brasileiras, a carioca Márcia Narloch (10) e Adriana de Souza (11).
Corte dos cachês
Para Cleuza Irineu, a São Silvestre ''perdeu o brilho'' porque, com o corte dos cachês para os atletas que davam status à prova, hoje não há mais nenhum europeu ou norte-americano. ''Era a oportunidade dos brasileiros assistirem aos grandes nomes do atletismo correndo. Na Itália, por exemplo, têm atletas melhores que os quenianos que vêm para cá. Mas eles, ou mesmo um Paul Tergat, nunca mais virão para a São Silvestre, pois só aparecem nas maratonas famosos, como as de Nova York, Boston, Tóquio, Berlim...'', comenta a londrinense.
Hoje, apesar da idade, Cleuza continua treinando diariamente e disputa provas na sua categoria. ''Não dá para concorrer com a meninas da elite porque, afinal, a idade pesa, né?'', brinca a fundista, que agora se dedica a ensinar aos mais novos os segredos da modalidade. Formada em Educação Física (e também em Jornalismo), é professora no CAIC da Zona Sul, em Londrina, e também treinadora de Roseli Mateus, 31 anos, e de Mônica Maria de Lima, 21. Além disso, assessora José do Nascimento Souza, 29 anos, ex-campeão do Circuito Sul-Americano de Corridas de Rua e 13º na São Silvestre de 2008.
Das suas ''pupilas'', Roseli Mateus obteve bons resultados em 2008. Funcionária dos Correios, ela começou a correr há poucos anos e foi campeã do Circuito Nacional dos Correios.
A ibiporaense Adriana de Souza, hoje com 37 anos, conquistou três pódios seguidos na São Silvestre. A atleta, que hoje compete na sua categoria (35/39 anos) e se dedica a um trabalho de formação em Ibiporã, foi vice em 2002 e superou, por exemplo, Maria Zeferina Baldaia (3 colocada), que havia sido campeã em 2001.
A boa fase de Adriana começou em 2000, quando foi a 4 colocada, garantindo seu um contrato de patrocínio com a Mizuno. No ano seguinte foi novamente a 4. Porém, após o vice-campeonato de 2002, Adriana se lesionou e ficou um longo tempo fora das pistas.

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