Falta de apoio ameaça atletismo
Com exceção do vôlei feminino e do basquete masculino, que estão disputando a Superliga Nacional, outras modalidades esportivas de Londrina estão enfrentando uma série de dificuldades. A que talvez mais esteja sofrendo com a falta de apoio é o atletismo, que já foi referência nacional, revelando vários atletas, como Sueli Aparecida de Souza, Cleverson de Oliveira, Emerson Iser Ben, entre outros.
Os que ainda insistem em continuar no atletismo têm de fazer sacrifícios para participar das competições da temporada. É o caso do londrinense Paulo Augusto da Silveira, 16 anos, que treina com o professor Irineu dos Santos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Este ano, para participar de competições oficiais e ter seu nome incluído no ranking da Confederação Brasileira de Atletismo, ele teve que defender a Associação Atlética Estudantil de Rolândia. O motivo é que nenhum clube londrinense, atualmente, está filiado à Federação Paranaense de Atletismo, uma consequência direta da extinção da Autarquia Municipal de Esportes e Turismo (Ametur), no início deste ano.
Durante a temporada, Paulo, que é aluno do segundo ano colegial da Escola Antônio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), conquistou vários títulos. Os principais foram os de campeão dos 100 e 200 metros nas etapas de julho e setembro do Campeonato Paranaense de Menores de Atletismo. Foi também campeão nas duas provas dos Jogos da Juventude do Paraná, em Umuarama, e tetracampeão dos Jogos Escolares do Paraná, nas provas de velocidade e salto em distância (1995 a 1998), além de quarto colocado nos 100 metros dos Jogos da Juventude Brasileiros, em Porto Alegre. Ele também participou de competições no juvenil e adulto. Durante o ano, os seus melhores tempos foram 11s25 nos 100 metros rasos e 23s14 nos 200 metros (cronometragem eletrônica) e 6,31 metros no salto em distância.
Paulo Augusto da Silveira treina diariamente com o técnico Irineu dos Santos. Segundo Irineu, para que isso seja possível, o atleta conta com ajuda de pessoas que preferem ficar no anonimato, mas que bancam suas despesas com treino, alimentação e gastos com viagens para participar de competições. Além do sucesso nas pistas, Paulo vai bem nos estudos, com notas acima de 90, em todas as matérias. Com isso, ele ganhou da direção do colégio um curso de informática. O Instituto Yazigi de Londrina também reconheceu o esforço deste atleta e concedeu a ele meia bolsa de estudante.
Nas competições fora do Paraná, os atletas considerados de ponta, segundo pesquisa feita pelo professor Irineu, só treinam em pista sintética. Isto não acontece em Londrina, que tem sua pista situada no campus da Universidade Estadual de Londrina. No primeiro semestre, a Secretaria de Esportes e Turismo do Paraná forneceu o material (importado da Itália) para a implantação da pista sintética em Londrina, o que não aconteceu até agora. A responsabilidade da base da pista é da Prefeitura de Londrina, ficando a infra-estrutura por conta da UEL. As obras ainda não foram iniciadas. Para o próximo ano, a expectativa do professor Irineu Santos é que este panorama melhore e que o esporte amador venha novamente a receber o apoio da comunidade e não perca mais atletas.Paulo WolfgangDisposição de sobraPaulo Augusto da Silveira treina saltos na UEL: obras para pista sintética ainda nem começaramJairo Gomes





