A falta de apoio sempre foi um dos grandes adversários dos praticantes da luta de braço. Sem condições de se manter no esporte, muitos atletas tiveram a carreira abreviada. Em Londrina, existem vários casos de atletas que conquistaram o título brasileiro, mas não puderam disputar o Mundial o grande sonho pela falta de patrocínio.
Fernando Munhon, 27 anos, é um exemplo de atleta que já conquistou vários títulos em nível nacional, mas ainda não atingiu o objetivo de disputar um Mundial. Ele tenta atingir o objetivo nesse ano. ''Estou focado na disputa do Campeonato Brasileiro'', contou. A competição, seletiva para o Campeonato Mundial do Japão, acontecerá em Valinhos (SP), entre 25 e 26 de junho.
Nelson Bianchini Júnior explica que os praticantes da luta de braço precisam tomar diariamente complementos alimentares, que ajudam a hidratar os músculos (no caso da creatina), recuperar as fibras e evitar lesões. Cada atleta gasta, em média, R$ 300 por mês com complementos. Além disso, eles têm custos para participar dos campeonatos. ''É um esporte que não rende lucros e ainda exige investimentos do atleta'', explicou Nelsinho.
Segundo ele, a situação da equipe melhorou a partir do ano passado quando passou a ser patrocinada pela Sercomtel. Os atletas contam ainda com patrocínio do Iate Clube de Londrina, onde treinam três vezes por semana, e da Academia Evolução. ''Aos sábados, nós disputamos partidas'', comentou.
Conforme Nelsinho, no Brasil, atualmente, alguns atletas já conseguem viver somente do esporte. Mas em geral, precisam ter outra profissão para se manterem na luta de braço. A realidade em países como Rússia e Estados Unidos é bem diferente. Um londrinense Flori Dutra Júnior , inclusive, mora em Nurt, cidade próxima a Nova York, nos Estados Unidos, e vive basicamente das competições e dos patrocínios da luta de braço.
Treinamento Desde 1998, os atletas da equipe londrinense utilizam o método russo de treinamento, adaptado para o estilo brasileiro. Nelsinho explica que na Rússia estão os principais competidores do mundo. ''Lá as crianças aprendem sobre o esporte nas escolas e existem mesas espalhadas por toda parte.''
Os londrinenses tiveram acesso ao método de treinamento dos russos por intervenção de Antônio Carlos Gomes, diretor do Atlético Paranaense, que morou durante dez anos na Rússia. Ele acrescentou que no primeiro ano de treinos, os londrinenses sofreram muitas lesões. ''Fizemos uma adaptação e os resultados apareceram.'' (G.A.)

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