Londrina - No próximo 27, o público do Norte do Paraná poderá ver de perto o craque Falcão desfilando o seu talento e "entortando" os adversários com dribles inusitados no Ginásio Moringão, em Londrina. Ele virá para um amistoso do seu time, a Malwee/Jaraguá-SC, melhor equipe do Brasil há três anos, contra o Colégio Londrinense/FEL, que disputará a partir de março a Chave Ouro do Campeonato Paranaense de Futsal.
Além do craque da camisa 12 da seleção brasileira, a Malwee trará a Londrina outros de seus astros, como o pivô Lenísio, o fixo Ari e os goleiros Franklin e Tiago - campeões mundiais com o Brasil no ano passado - além dos alas Cabreúva e Xoxo, convocados após a conquista. A Malwee é a atual tricampeã da Liga Futsal e seis vezes campeã da Taça Brasil.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Falcão fala sobre sua trajetória e seus novos empreendimentos como gestor de carreiras de jogadores de futebol.

FOLHA - De onde vem o seu apelido? É por admiração ao Falcão do futebol?
Falcão - Meu pai tinha esse apelido, por causa do Falcão (ex-volante do Inter e da seleção). E como eu acompanhava meu pai nas peladas em que ele ia, começaram a me chamar de Falcãozinho e acabou pegando.

A Malwee foi campeã da Liga Futsal e da Taça Brasil em 2008. Você vê algum grande adversário que possa impedir mais títulos do seu clube em 2009?
Sempre tem equipes fortes. Cabe a nós estarmos nos preparando bem para não perdermos a hegemonia que conquistamos. Temos hoje a melhor equipe do Brasil, mas isso não significa que os títulos vão vir. Sabemos que todo mundo quer nos vencer e o nosso principal adversário pode ser nós mesmos.

Quais equipes podem fazer frente à Malwee?
O Carlos Barbosa-RS, a UCS (de Caxias do Sul-RS), o Corinthians-SP, que este ano estará bem, e as equipes do Paraná, que estão voltando forte agora. Delas, o Marechal Cândido Rondon está montando o melhor elenco do Paraná, na minha opinião.

Em que nível você considera que está o futsal do Paraná?
Num ótimo nível. É só lembrarmos que o Paraná foi o primeiro Estado a ter ginásios grandes e quadras de 40m x 20m. Hoje essas equipes entrando na Liga favorecem muito mais o seu crescimento. A gente sabe que a torcida comparece e os ginásios lotam. O que falta para o Paraná é ganhar um título nacional. Mas a gente vê que a cada ano que passa o Paraná está investindo mais e é o Estado que mais vem crescendo no futsal nos últimos anos.
Como vê o ressurgimento do futsal de alto rendimento em Londrina?
Acho uma boa. Londrina é uma cidade grande e que tem empresas com boas condições para segurarem o time de futsal aí. Esperamos que Londrina logo volte a ter uma equipe na Liga Futsal (a cidade disputou em 2002 e 2003) e esperamos que essa nossa ida a Londrina motive o público da região e os empresários locais para que invistam.

Até quando pensa em jogar?
Tenho contrato com a Malwee até 2012 e pretendo jogar somente até este ano. Não quero passar disso, porque tenho muitas coisas extras que estão caminhando agora que estou empresariando jogadores de futebol aqui de Santa Catarina.

Nessa atividade paralela, quantos jogadores já encaminhou para clubes?
Estou começando agora e pegando jogadores já encaminhados. Estou com uma lista de dez jogadores no momento (na noite em que falou à FOLHA, por telefone, estava no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, assistindo a um jogo do Avaí, clube que tem jogadores agenciados por ele, como o meia Medina, o lateral Renan e o volante Jhonny, semifinalistas da Copa São Paulo deste ano).

As suas escolinhas são outra fonte de renda...
Sim, elas são franquias espalhadas pelo País que têm o objetivo de revelar talentos. Mas quase todas são de responsabilidade dos seus proprietários. Tenho a minha aqui em Jaraguá do Sul e que todos os anos tem revelado muitos garotos.

Essa atividade de empresariar jogadores é um filão de mercado para jogadores experientes ou ex-atletas?
É um bom mercado desde que você tenha índole, bom senso e bons contatos. Eu, graças a Deus, tenho um leque muito grande de contatos com Corinthians, São Paulo, Avaí e tem muita coisa bacana andando. Então, tenho certeza de que para quem tem conhecimento e boa intenção, é um mercado muito bom.

Você tentou jogar futebol de campo, mas não deu. Se sente frustrado por isso?
Cheguei a jogar no São Paulo por cinco meses. Tentei também no Palmeiras e na Portuguesa, mas não houve acerto financeiro. O tempo em que fiquei no São Paulo foi muito legal, fui campeão paulista lá e eu é que tive a opção de voltar para as quadras.

Você se sente realizado depois do título mundial de 2008?
Totalmente realizado. Não me falta mais nenhum título. Só quero agora atingir e superar a marca de maior artilheiro da história da seleção brasileira. Estou a apenas 20 gols dessa marca (que é de Manoel Tobias, com 278 gols).

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