FALAMOS COM Michael
>IDADE: 20 > LUGAR: Nas Laranjeiras >COMEÇO: Categorias de base do Fluminense >DRAMA: Foi pego no exame antidoping em 2013 por uso de cocaína >ASSUNTO: Superação após a suspensão
Jovem, talentoso e com boas perspectivas futuras. O enredo é comum no Brasil. Até aparecerem drogas no caminho para tirar o promissor talento da trilha do sucesso. O fim poderia ser mais conhecido ainda, mas ele ainda está por ser escrito. O drama de Michael sensibilizou todos no Fluminense. E houve empenho para ajudá- o a superar o problema. Hoje, ele tenta dar volta por cima. E já se tornou peça-chave na equipe tricolor.
O pesadelo começou no Carioca do ano passado. Mais precisamente no dia 6 de abril, após vitória sobre o Resende. De lá para cá, iniciou a batalha para se livrar da dependência química. Voltou este ano, após oito meses, e marcando gols. O que melhor sabe fazer.
- Creio que a minha dependência está totalmente controlada. Eu e meus médicos e psicólogo acreditamos nisso. Estou fazendo o trabalho que foi programado e conto com o apoio deles em tudo isso - afirmou, garantindo dedicação.
Matheus Babo: Pelo apoio, acha que tem uma dívida com o Flu?
Tenho uma dívida de gratidão sim. Tento demonstrar isso toda vez que entro em campo. Quero fazer o melhor para que possa retribuir à torcida e as pessoas que me ajudaram nessa reabilitação também.
Guilherme Abrahão: Como foram os oitos meses de suspensão?
Foi uma passagem de vida para mim. Aprendi muito. Desses oito meses, foram 47 dias internado, que foi uma das melhores coisas que aconteceram. Hoje sei lidar com todas as dificuldades que a vida me proporciona. Sou grato a todos.
MB: O que foi fundamental para sua recuperação?
O apoio do Fluminense, o apoio das pessoas que estavam sempre comigo, tanto na clínica, quanto aqui, na minha casa, a minha família, isso me ajudou bastante. Favoreceu muito para que me animasse de novo e pudesse voltar a jogar.
GA: Abel disse que você era um filho para ele. Em que ele o ajudou?
Abel é um cara que sempre que falo dele, falta alguma coisa. Acho que fiquei devendo para ele. Acreditou em mim, me subiu para o profissional e quando precisou de mim, não podia jogar para ajudar. Tenho essa dívida. Como pessoa foi um cara que me ajudou muito. Aquela declaração dele no dia do doping foi uma coisa que mexeu bastante. Não esperava ouvir aquilo. Foi a melhor coisa que ouvi naquele dia. Me deu força para seguir trabalhando. Ele me ligou várias vezes durante a internação. Foi um relacionamento muito bom. Espero poder encontrá-lo no futuro.
GA: O que passa aos garotos nas palestras que vem ministrando?
Enfatizo bastante a questão de que eles me tirem como exemplo das coisas ruins. Falo que as coisas boas acontecem, mas tudo vem com tempo. Só que sempre vai ter coisa ruim pra atrapalhar.
M B: Amadureceu muito com tudo o que aconteceu?
Me achava pronto para a vida com 19 anos e acabei apanhando. Há pessoas que falam que a vida ensina de dois jeitos: com carinho e tapa na cara. Aprendi com o tapa na cara. Não tive outra escolha, mas levei esse aprendizado como ensinamento.






