FALAMOS COM Mario C. Petraglia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de abril de 2013
LUIZ SIGNOR - [email protected] 
>IDADE: 69
>LUGAR: Em Curitiba (por telefone)
>CARGO: Presidente doAtlético-PR
>TÓPICOS: Calendário, construção da Arena, título
Mario Celso Petraglia passou o início de ano sem dirigir qualquer palavra à imprensa paranaense, mas não teve papas na língua em sua entrevista exclusiva ao L!. O mandatário do Atlético-PR decretou a falência dos estaduais, explicou o rompimento com a imprensa do Paraná e sobre a relação com o rival Coritiba, que, segundo ele, poderia ser melhor.
Luiz Signor: Presidente, pode-se dizer que o Atlético inovou, ao usar seu time sub-23 no Estadual e dar uma pré-temporada no exterior para o elenco principal. Como surgiu esta ideia?
Fizemos um balanço do Campeonato Estadual. Nós estávamos pagando para jogar, sofrendo na parte técnica e na arbitragem. Apenas dois clubes têm história, o resto é só clube de formação de empresários, de aluguel. A gente viu esta abertura para dar aos jovens talentos um teste em uma competição com pressão da torcida, imprensa e mídia. Do outro lado, sabemos que o calendário do Brasil é extenso. São mais de 60 jogos por ano, e o time principal chega ao fim do ano estafado. Sem o Campeonato Paranaense, eliminamos 22 partidas. Em compensação, deixamos os titulares ansiosos para jogar.
Vinícius Faustini.: Vemos hoje no Brasil afora estaduais muito longos, com média de público baixo, nível ruim. Como aconteceria esta mudança?
Precisamos mudar o calendário. Não se pode mais preservar os feudos das federações locais e estaduais. Eu falo há anos que estaduais são um engodo sustentado pelas federações e por um pseudointeresse dos pequenos. Clubes de cidades menores estão sucateados, falidos, entregues a empresários graças à fatídica Lei Pelé. Os times estão quebrados. Tem de ser criada a Liga Brasileira.
V.F.: Um assunto delicado: qual foi o motivo que fez o Atlético radicalizar e romper relações com a imprensa para gerar seu próprio conteúdo?
Esta história é muito longa. Começa com as características do nosso povo e o fato de a maioria do pessoal que conduz a mídia daqui do Paraná ter suas cores. Todos temos um clube de coração, mas não podemos ficar a serviço dessa
paixão. Todo mundo tem de ser imparcial. E aqui não aconteceu da forma que gostaríamos. Depois de tentar por vários anos, chegamos ao limite, e preferimos ir buscar nossa mídia independente. Nós tentamos buscar nossa rádio, nosso conteúdo. Nós fomos pioneiros. No início da construção da nossa Arena, em 1999, o pioneirismo nos custou muito caro. Em uma época, tivemos de aumentar nosso ingresso em 30% e fomos massacrados pela mídia local, que nos acusou de elitistas e de querer expulsar os povos dos estádios. Nossa .aldeia. que é reacionária insiste no futebol romântico, que dividia o estádio em meio a meio no passado. Sou muito crítico, respeito a imprensa, acho que cada um tem sua função, é extremamente importante na nossa sociedade. Agora, faço o enfrentamento crítico para o meu clube.
L.S.: Não seria interessante Atlético-PR e Coritiba se unirem politicamente, pelo bem do futebol paranaense?
Eu não tenho dúvida. Sempre nos colocamos à disposição, vejo um clube dependente do outro. Isso tem uma visão clara de que eu não misturo fanatismo e paixão. Infelizmente, os clubes são conduzidos por pessoas que têm visão regionalista, de querer todas as taças a curtíssimo prazo.
FRASES
"Teremos um dos melhores estádios do mundo. Aliás, 45 mil lugares é um tamanho ideal para nossa torcida e para Curitiba. Daremos conforto, visão e segurança a quem for aos jogos."?
Mario C. Petraglia
SOBRE A ARENA DA BAIXADA
"Houve um sacrifício financeiro. Nosso estádio, que seria entregue em março ou abril, não está pronto por questões de governo. A torcida está ciente de que será mais um ano apertado."
Mario C. Petraglia
SOBRE INVESTIMENTOS



