FALA, PROFESSOR
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Renato Oliveira<BR> Reportagem Local 
O ortopedista César Martins utilizou uma técnica nova na recuperação do taekondista Charles Maioli, de 19 anos. Após fraturar o ligamento médio do pé, o médico recorreu à técnica de aplicação do plasma rico em plaquetas (PRP) junto com a colocação de um parafuso de titânio para acelerar o processo de reabilitação do lutador.
A lesão de Maioli é chamada no meio científico de fratura-luxação de Lisfranq. Segundo Martins, cerca de 80% dos casos de lesão no taekwondo são desta origem. Retirado do sangue do paciente, o PRP é uma substância rica em fatores de crescimento e cicatrização dos tecidos. Ele atribui a esta propriedade o uso crescente do PRP na reparação de cartilagens e fraturas de ossos.
''O importante é falar que as aplicações do PRP devem ser precisas. A técnica de retirada tem que ser perfeita, obedecendo todo um protocolo para manuseio do plasma'', alerta Martins.
A eficácia do PRP reduz em mais da metade o tempo de recuperação da lesão. Segundo o ortopedista, um atleta que demoraria seis semanas para pisar no chão tem o tempo reduzido a quinze dias quando comparado com um tratamento normal. ''Nossa programação junto com o fisioterapeuta e treinador é de colocar o lutador em treinos em no máximo três semanas'', ressalta.
Devido à origem biológica do PRP, Martins afirma que a redução de quatro semanas no tempo do tratamento não aumenta os riscos de novas lesões. Mas ele alerta para o uso intramuscular que requer cuidados devido ao antidoping.
''Quando utilizado em articulações não oferece problemas. Mas se for no músculo deve ser feita uma carta relatando o uso do PRP junto ao órgão que fiscaliza o doping. Isso evita problemas com o exame antidoping'', ressalta.
Martins observa um ''boom'' na utilização do PRP por médicos e ortopedistas nos últimos três anos. ''Hoje é um procedimento corriqueiro, feito por centros médicos a pedido de clubes de futebol'', exemplifica.
Atualmente quase todos os médicos e cirurgiões utilizam o PRP para reparar lesões em cartilagens dos tornozelos, tendões e joelhos de atletas. ''O problema é utilizar indiscriminadamente sem um padrão de manipulação. Mas, quando bem aplicado, reduz em até 70% problemas de lesões crônicas. Isso é um bom número, levando em conta que não se precisa partir para as cirurgias mais complexas'', finaliza.


