A última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez uma constatação alarmante: mais de 70% dos brasileiros são sedentários. O dado é relativamente antigo, do início do ano. Mas o problema continua o mesmo. Para se reverter uma situação deste tipo são necessários anos e anos de um trabalho calcado sobretudo na conscientização da população.
Diante de tais dados, o Conselho Regional de Educação Física do Paraná (Cref) se sente na obrigação de tentar reverter o quadro. Ainda mais numa época em que os egressos das universidades encontram um mercado de trabalho em vias de se desenvolver exatamente neste sentido: melhoria da saúde da população.
O professor Antônio Eduardo Branco, presidente do Cref, acredita que o educador físico tem a obrigação de deixar um legado social em benefício da saúde da população. ''É um direito sagrado ser atendido por um profissional que faça isso. Hoje a população é sedentária porque não reconhece nossa função e quebrar esse paradigma é nossa obrigação'', assinala.
Ele explica que demorou mas atualmente os profissionais aprenderam a reconhecer o Cref. ''Agora é a vez da sociedade', alfineta. ''Quando seu filho vai treinar futsal encontra um profissional programado para atender garotos de cinco a dez anos promovendo desenvolvimento motor, saúde e psicomotricidade. É incrível, mas ainda vejo que a sociedade não reconhece o profissional apto para trabalhar com seu filho na primeira infância'', critica.
Branco acredita na possibilidade de utilizar a atividade física como profilaxia na redução de doenças como estresse e hipertensão, além de recomendada para a terceira idade devido à capacidade de fixar o cálcio com o deslizamento dos músculos nos ossos. ''Foi descoberto recentemente que é o exercício físico o sujeito para evitar doenças somáticas como o câncer, além de promover a renovação celular'', argumenta.
Outro fator que pode ser apontado como culpa para o panorama do sedentarismo no Brasil é o hábito da população em outras épocas. Antigamente, após sofrer uma contusão ou perder o nível de performance, o esportista abandonava o esporte por definitivo. ''Ele não aprendeu a cultuar a atividade física seja caminhar, jogar peteca ou andar de bicicleta como um bem para ele. Ele tinha visão de atleta. Quando não estava mais rendendo tinha que parar'', assinala.
Mas mesmo a atividade física diária deve obedecer limites para não se tornar prejudicial à saúde. Segundo Branco, existem testes que permitem medir o nível máximo de batidas cardíacas, VO2 máximo e o teste de esteira ergométrica que devem ser obedecidos à risca por professores de educação física.
''Assim como a população tem direito de ser atendido por um bom médico ou advogado, o mesmo vale para os profissionais da educação física. E não por qualquer um que veste uma calça de agasalho e diz ser especialista no assunto'', cobra.

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