''Foi uma questão de identificação''. Assim justifica Luiz Cláudio dos Santos, que há 24 anos encontrou no ninjutsu um meio de formar e desenvolver o próprio caráter. ''Isso foi o que mais encantou e me segura praticando até hoje'', apontou. Surgido há centenas de anos no Japão, o ninjutsu é considerado uma arte que tem a finalidade de preparar guerreiros para virarem ninjas.
Segundo Cassiano Gomes, professor da Associação Kaikô de Artes Marciais, o ninjutsu nasceu entre samurais, sendo visto por muitos como um conceito de anarquismo dentro da história das artes marciais. Porém, na prática manteve o jargão tradicional da filosofia de paz e preparação espiritual e mental dos guerreiros.
''Na parte espiritual, o importante é se desenvolver mentalmente e se integrar à sociedade conhecendo a própria capacidade de combate para não dar maus exemplos, como agredir pessoas nas ruas. Isso faz do ninjutsu uma maneira de fortalecer o caráter e a personalidade'', explica Gomes.
Uma das mais marcantes características do ninjutsu é a utilização de armas. Machadinhas, foices, cabaças, espadas e leques são apenas alguns exemplos de um conjunto de mais de 40 peças. ''A espada, por exemplo, é encontrada em qualquer civilização, seja chinesa, japonesa ou romana. O arco também foi a primeira arma de longo alcance que surgiu na selva com os pigmeus e esteve com romanos e persas'', menciona o professor sobre a origem do arsenal que se fundiu no ninjutsu.
Enquanto atividade física, ele acredita que pode trazer benefícios dentro de um trabalho de treinamento bem orientado. O professor explica que a diferença para outras atividades é a possibilidade de trabalhar corpo e mente ao mesmo tempo.
Gomes afirma ainda que a própria filosofia do ninjutsu separa ''quem tem tendência a violência de quem não tem''. Ele observa que as pessoas interessadas em esportes mais violentos procuram atualmente o mixed martial art's (MMA).
''Quando chega aqui eles encontram disciplina. Isso ocorre na maioria das artes conceituais. Costumo dizer que o ninjutsu não é a arte do vencedor, mas sim a arte do sobrevivente. Essa individualidade é o segredo e diferença para outras artes'', arremata.

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