FALA, PROFESSOR
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segunda-feira, 02 de agosto de 2010
Renato Oliveira<BR>Reportagem Local 
O beach soccer, ou futebol de areia, ficou conhecido depois que craques dos gramados como Júnior, Zico, Roberto Dinamite e até Romário resolveram jogar bola na praia depois de aposentados. Lá eles encontraram nomes consagrados como Júnior Negão, Benjamim, Buru e outros 'ratos da praia', boleiros que se consagraram jogando na areia.
O esporte chegou oficialmente a Londrina num projeto do ídolo Júnior Negão e aos poucos vem ganhando adeptos. O grupo, que leva o nome do jogador, é formado basicamente por 50 pessoas. Dentre os benefícios, o bacharel em ciência do esporte Almir Ferrari aponta dois fundamentais: melhora na coordenação motora e aumento na resistência muscular, em função do contato com a areia.
''Isso exige mais da musculatura fazendo o beach soccer trabalhar mais potência e força, ao invés da resistência, velocidade e explosão que são características do futebol de campo. Outra diferença com o campo é o prazer de pisar na areia. Isso desperta interessa de crianças e adolescentes'', analisa Ferrari que trabalha no projeto ao lado de Alberto Pizzol, o Bebeto, idealizador da iniciativa.
Bebeto acredita que na areia a quantidade de lesões é reduzida. Como a velocidade do jogo é menor que no futebol de campo ou no futsal, as pancadas e divididas se tornam menos frequentes. ''Se você observar, a velocidade visual é menor. Mas a sensação de esforço para quem corre é maior. A areia exige mais potência de quem joga. Certamente quem sai da areia para o campo vai se diferenciar dos demais, porque será mais rápido'', explica.
Mas Ferrari elenca dois aspectos onde a evolução física é perceptível em quem joga o beach soccer. O primeiro é o aumento na força muscular, que por sua vez se reflete num segundo momento na melhora no potencial cardio-respiratório, que está relacionado ao aumento no volume máximo de oxigênio processado pelo organismo.
''Se o atleta chega com experiência no futebol talvez precise apenas dar ênfase na parte física, porque a técnica está aguçada. Mas quem vai direto para o futebol de areia tem um trabalho mais intenso na parte física. Pode não ter uma técnica tão apurada, mas tem mais fôlego que os jogadores de campo'', compara o especialista em ciência do esporte.
O mais interessante é a diferença nas jogadas. O controle da bola tem que ser no ar, pois a areia dificulta toques e jogadas de contato com o solo. ''A ênfase se dá em jogadas aéreas como cabeceios, lançamentos e chutes de primeira. A cobrança de falta também precisa de mais efeito'', explica Ferrari, lembrando que jogadores oriundos do futevôlei acabam entrando mais rápido na onda do beach soccer, que possui características semelhantes.


