Pular corda, cabo de guerra, amarelinha, bolinha de gude, lenço-atrás, passa anel, esconde-esconde, dança das cadeiras, bola queimada, peteca e cantigas de roda. Quem foi criança antes de inventarem o video-game e o computador com certeza passou tardes com os amigos desfrutando de alguma dessas brincadeiras. Tentando resgatar seu lado lúdico, algumas escolas estão utilizando aulas de educação física para mostrar como pais e avós se divertiam antes delas serem substituídas pela tecnologia.
A professora Denise Mazzotti acredita que a rotina do mundo moderno fez as crianças perderem espaço e tempo para brincar. Além do dia a dia que envolve estudos e outras atividades, quando sobre tempo não é possível brincar nas ruas e praças por conta da falta de segurança e da violência crescente nos grandes e médios centros urbanos.
''Sabendo que as crianças de hoje só pensam em videogame, computador e outros joguinhos eletrônicos, tento mostrar por meio das brincadeiras antigas o prazer de se relacionar com outras crianças e viver relações menos superficiais do que as mídias eletrônicas'', explica a professora da Escola Pio XII.
Denise cita uma pesquisa do Instituto Akatu que aponta que os jovens assistem, em média, 4 horas e 50 minutos de programação televisiva diariamente. ''Acho que isso mostra que está na hora de oportunizar momentos de atividade física para os jovens e tentar mudar as estatísticas'', completou.
Nos dois últimos anos, a professora desenvolveu um projeto de confecção de brinquedos entre as crianças, que fizeram o seu próprio 'vai e vem' com embalagens recicláveis. ''Isso envolveu ainda a aula de artes, onde eles pintaram seus próprios brinquedos'', completou, lembrando que em 2008 eles fizeram as próprias pipas e neste ano a intenção é construir 'bibioques' .
Outro benefício que a brincadeira possibilita é estreitar os laços entre pais e filhos. A professora recebeu um ''feedback'' positivo dos pais, que enxergam na confecção de brinquedos durante as aulas um estímulo para sentar com o filho tanto para contruir quanto para brincar. ''Isso ajuda a trabalhar com coordenação, imaginação e criatividade'', aponta.
Denise acredita que a metodologia permite que desde crianças com irmãos e principalmente filhos únicos tenham na brincadeira um pretexto para fazer amigos e trabalhar com a melhora na auto-estima. ''Por isso que sempre ressalto para que os pais brinquem com seus filhos. Isso traz mais afetividade, cumplicidade e confiança'', finaliza.

mockup