Aqui não se trata de uma coluna de esporte, mas dela, a coluna que sustenta a cabeça e órgãos vitais. Ela transporta e até mesmo processa vários comandos neurais, que mantém a vida em movimento.
Apesar da aparência forte da coluna, ela possui vários pontos vulneráveis. Dois em cada 10 adultos teve ou terão problema na coluna. E não é por outra razão que as dores na coluna lideram os motivos das consultas, hospitalização e falta ao trabalho. Mesmo parado, ela sofre com a força gravitacional que nos puxa para o centro da terra, comprimindo uma vértebra sobre outra. Em movimento, as articulações giram e o corpo desloca no espaço, gerando torques e forças que desafiam a manutenção da coluna em equilíbrio.
Nos esportes, essas demandas mecânicas são testadas no limite biológico. Imagine um garçom tentando segurar uma pilha de 33 pratos ao mesmo tempo em que outras pessoas tentam girá-los e deslizá-los em diferentes sentidos e direções. De forma figurada, é assim que os músculos, ligamentos e cartilagem trabalham para manter as 33 vértebras em equilíbrio.
A complexidade biomecânica destas forças e torques na prática esportiva, exige o acompanhamento atento de fisioterapeutas, para evitar que a pilha de vértebras perca o prumo, gerando luxações e lesões que podem levar inclusive à morte. Entre uma vértebra e outra sai nervos que comandam os músculos e o funcionamento dos órgãos. Destes espaços também entram nervos nos mantendo informando sobre como navegamos e interagimos no espaço. Basta um desalinhamento entre as vértebras para pinçar esses nervos causando dores alucinantes.
Já dizia o ditado que prevenir é melhor que remediar. Mas é impossível prevenir sem conhecer os riscos a coluna é submetida em cada esporte. A ciência tem derrubado vários mitos a respeito da melhor forma de preservar a coluna durante os esportes. Por exemplo, fortalecer ao máximo os músculos abdominais (recobrem a barriga) e das costas para melhor manter a coluna alinhada já caiu por terra. O melhor é preparar essas musculaturas para trabalhar por longo período de tempo, sem fatigar.
Como saber se você precisa de ajuda de um fisioterapeuta? Deite em uma cama de barriga para baixo, mantendo apenas a pélvis (bacia) e o tronco sobre ela. Coloque as mãos na nuca veja por quanto tempo você consegue manter o tronco alinhado com as pernas? Se seu corpo apitar antes de 58 segundos é sinal que você precisa tomar muito cuidado com a musculatura das costas e procure um especialista. Tampouco acredite que seja possível fortalecer essas musculaturas sem gerar impacto nas vértebras. Não entregue o seu corpo, e em especial a sua coluna, nas mãos de amadores.
Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida, Presidente do Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo - Crefito-SP, mestre, PhD e pós-doutor por importantes instituições norte-americanas.

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