FALA, PROFESSOR...
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sábado, 08 de maio de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Loca 
Aos poucos a musculação perde o estigma de atividade ligada aos halterofilistas e ganha contornos funcionais. Uma dessas novas visões é a musculação terapêutica. Atualmente, essa técnica é utilizada por ortopedistas e fisioterapeutas em tratamentos pós-operatórios que contam com auxílio de profissionais da educação física capacitados para atender aos pacientes na medida certa.
Segundo o especialista em medicina esportiva, Cristian França, o trabalho da musculação terapêutica é a longo prazo e de baixa intensidade. Ele explica que uma lesão traz sequelas diferentes para cada tipo de caso. Por isso é importante executar na área lesionada movimentos parciais, obedecendo ângulos onde a pessoa não sinta dor.
''É um processo bem mais lento do que na musculação tradicional. Os exercícios utilizados são os mesmos, mas com ângulos reduzidos, cargas menores e outras modificações na biomecânica do exercício'', analisa.
O professor explica que um trabalho de reabilitação deste tipo normalmente dura até três meses. Ele afirma que logo em seguida é possível reiniciar os treinamentos da musculação estética, mas com restrições. ''Aquela região acometida dificilmente volta ao trabalho com 100% de força. Uma vez machucada o risco de novas lesões é muito maior'', ressalta.
Ele observa exemplos bem sucedidos de tratamentos nos ombros e na coluna vertebral, que fogem dos já corriqueiros casos de problemas no joelho e tornozelo. França cita a hérnia de disco como o mais comum. Ao contrário das técnicas mais tradicionais que pregavam repouso para casos deste tipo, hoje é recomendado uma carga menor de exercícios para evitar o sedentarismo.
O especialista explica que a perda de força nas articulações durante uma semana sem praticar nenhum tipo de atividade é de 10% e pode chegar aos 30% se o período aumentar para um mês. ''Isso é comum quando a pessoa está fazendo fisioterapia. É importante esse trabalho pós-operatório, uma vez que quanto menor a força muscular, maior as chances de nova lesão articular. Se o músculo estiver fortalecido, as chances de sobrecarga na articulação diminui'', explica.
França acredita que os fisioterapeutas já notaram a necessidade do trabalho em conjunto com os profissionais da área do esporte. Mas ainda é fundamental ter referências antes de procurar um tratamento deste tipo, pois nem todos sabem a diferença entre a musculação terapêutica e a tradicional.
O grande risco é ser tratado como se fosse um aluno comum atrás de hipertrofia dos músculos. ''Como a musculatura e o tendão da região acometida estão muito fracas, também é altamente suscetível a novas lesões. Por isso é importante tomar muito cuidado. Mas é um mercado que ainda vai crescer muito no Brasil'', arremata.


