Síndrome metabólica. O nome é estranho, mas seus efeitos já estão há tempos por aí. Oriundo dos prontuários médicos, o conceito está intimamente ligado ao mundo da atividade física. Normalmente, quando a pessoa procura o exercício para reduzir o impacto de distúrbios como hipertensão, aumento de colesterol, síndrome do pânico e o popular estresse essa doença recentemente diagnosticada está por trás de todos os problemas.
Segundo o especialista em medicina esportiva, Fuad Salle Neto, o conceito de síndrome metabólica é novo e se modifica de tempos em tempos. Ele explica que a doença é um distúrbio no funcionalmento metabólico que causa uma série de descontroles hormonais. Um tipo de substância produzida pela gordura visceral é liberada no organismo e atinge funções vitais do homem como controle dos vasos sanguíneos, digestão, sistema imunológico e cardíaco.
Para Fuad, a relação com atividade física decorre da necessidade de praticar exercícios quando as pessoas descobrem que sofrem de algum destes males. Como normalmente ela está ligada ao ganho de peso em excesso, é fundamental balancear a produção proporcionando a queima de calorias igual ou superior ao volume consumido diariamente. ''Normalmente quem está praticando atividade física não sabe que é por causa da síndrome'', observa.
Segundo o médico, para adquirir a síndrome metabólica é necessário apresentar excesso de gordura visceral, aquela que produz hormônios que interferem no funcionamento do organismo. ''Mas é uma gordura diferente daquela periférica, o 'pneuzinho da barriga'. Por isso, para ter a síndrome não é necessário a circunferência abdominal. Existem pessoas que não têm excesso de gordura no corpo, mas um percentual de gordura corpórea acima do normal'', analisa.
O fator mais importante é a variação na quantidade de gordura queimada. Fuad explica que não há uma receita e tudo depende do funcionamento do organismo de cada pessoa. Ele cita a natação onde existem atletas que consomem até 10 mil calorias e não possuem nenhum tipo de gordura. ''Isso é por que a taxa de atividade é superior a de gordura consumida'', explica.
Mas todo o processo de desenvolvimento da síndrome metabólica ocorre em nível bioquímico. É por isso que Fuad acredita que todas as doenças ditas da modernidade como estresse, hipertensão, depressão e tantas outras fazem parte de um contexto único.
''É a grande epidemia nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Talvez o fato de ter um conceito novo pese, mas ao meu ver é fruto da maneira capitalista de se viver. A alimentação imprópria, falta de tempo entre outros desconfortos da vida corriqueira também têm peso'', acredita.

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