FALA, PROFESSOR
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Kalinka Amorim<br>Reportagem Local 
NBA, Los Angeles Lakers, Orlando, Cleveland. Seriam esses os nomes que vêm à mente quando o assunto é basquete? Para a garotada que ingressa no esporte, a resposta é sim. Tamanha imaginação é considerada positiva pelo professor de educação física, Paulo Sérgio Souza Vasconcelos, formado pela Universidade Estadual de Londrina. Ele é treinador da equipe de basquete feminino Londrina/Iate/Colégio Portinari, atual campeã paranaense.
Para o bom desempenho de um jovem jogador de basquete, segundo o treinador, vários fatores são essenciais, inclusive o psicológico. Principalmente, por considerar a modalidade um pouco pesada. ''O basquete é um esporte pesado, exige dedicação integral, envolve o lado emocional tanto dos atletas, quanto da família e dos patrocinadores''. Mas para os apaixonados pela profissão como ele, é um esporte gratificante, garante.
A percepção da ausência de profissionais dedicados ao lado psicológico surgiu ainda na época em que era estudante e para sanar esse déficit, Vasconcelos desenvolveu um trabalho sobre a influência do treinador e o desempenho da equipe, que coloca em prática no dia a dia de trabalho. ''A psicologia é um dos componentes mais importantes para o desempenho de um atleta e quem estuda educação física não tem conhecimento nenhum da psicologia do esporte e do desgaste que as cobranças pelas vitórias geram. Muitas vezes elas causam um resultado contrário ao desejado''.
Todas essas exigências fazem do basquete um esporte complexo que traz benefícios ao praticante. Segundo o treinador, a atividade ajuda no desenvolvimento do raciocínio da criança e na tomada de decisões. Essa influência atua extra quadra, no preparo para a vida. ''O basquete exige que o atleta tome decisões rápidas e resolva seus problemas sozinhos, sem a ajuda do treinador, dentro da quadra''.
Essa exigência faz com que a criança se torne independente e isso reflete até mesmo na sala de aula. ''Quando ela vai realizar uma prova de qualquer disciplina, por exemplo, sente-se mais segura de si e age''.
Um outro fator, considerável para o treinador é a aliança entre teoria e prática. ''Um profissional nunca deve optar apenas por uma das vias, esse paralelo faz muita diferença na hora do jogo. Se ele não tem noção de algo que é bom para a equipe, precisa aliar os conhecimentos teóricos para obter uma boa satisfação''.
A atenção especial dada ao estado emocional dos atletas também influencia o rendimento. ''Nessa idade, os jovens atletas estão na fase de afirmação e tem o receio do desempenho ruim, a vontade de vencer gera uma pressão e muitas vezes ela é ruim e leva ao erro''. Por isso, o treinador procura conversar individualmente com os atletas fora da quadra sobre aspectos cotidianos e até mesmo com os pais. ''Sempre saber sobre a vida deles fora do treino é um aspecto interessante''.
Vasconcelos conta que no começo a equipe enfrentou adversárias que tinham muito mais tempo de treino que elas. Ele ensina às garotas que muitas vezes é preciso perder para ganhar. ''Perder não significa que acabou tudo, que você é ruim. Dentro e fora da vida esportiva ganhamos e perdemos e é a partir da derrota que a melhora vem e consequentemente a vitória'', finaliza.
Trabalho árduo, conferiu ao treinador e às meninas o título que carregam, o de campeões paranaenses. Treino pesado é sinônimo de resultado gratificante.
Serviço - O Projeto do Basquete Feminino de Londrina é desenvolvido em cinco pólos de treinamento e está aberto para participação de meninas entre 8 e 14 anos. Informações com o professor Paulo Vasconcelos 9977-6615.


