Fala, Professor
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Toda pessoa que adquire algum tipo de deficiência durante a vida acaba optando por um tipo de terapia para tentar voltar a viver normalmente. Existe um esporte que possui poucos adeptos entre jovens atendidos pelo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc), mas que, aos poucos, ganha certo destaque pelo desempenho em torneios do circuito paradesportivo no Brasil. É o golball que surgiu após a Segunda Guerra Mundial como ferramenta para recuperação de soldados que perderam a visão.
Segundo Márcio Rafael da Silva, professor de educação física responsável pelo trabalho com deficientes no Ilitc, o projeto começou a ganhar formato quando foram convidados pela Paraná Esportes para representar o estado nos Jogos Colegiais Brasileiros Para-Olímpicos, em 2007. Ele conta que foram recrutados alguns atletas entre 15 e 17 anos, sem muita experiência, fato que impulsionou a criação de um projeto no ano seguinte.
O fruto maior veio apenas neste ano, quando faturaram o vice-campeonato da Copa Brasil de Golball 2009, da Série B, em Pindamonhangada, entre 23 equipes de todo o país. ''Foi uma conquista, pois com apenas dois anos de treino conseguimos uma vitória importante'', avaliou Silva. No ano que vem, os londrinense vão disputar a primeira divisão do torneio contra 12 equipes.
Na prática, as dimensões da quadra são de 18 metros de comprimento por 9 metros de largura. A equipe é formada por três jogadores titulares, além de outros três jogadores que ficam no banco de reservas. As regras são baseadas nas percepções táteis e auditivas, tanto que a bola possui um sino no seu interior que serve de guia. A quadra é montada por fitas e barbantes para auxiliar na locomoção durante o jogo.
''Como o jogo foi criado principalmente para a recuperação de deficientes visuais, toda a estrutura é montada pensando em para-atletas com estas características'', explica. Segundo Silva, o esporte foi criado em 1946 após a Segunda Guerra Mundial para reabilitação de sequelados nos campos de combate. ''Quando a pessoa ainda tem visão ela usa muito pouco os sentidos auditivos. Mas depois que perde é importante utilizar o ouvido que melhora equilíbrio e percepção tátil'', explica.
Quando o assunto é treinamento, Silva explica que, além dos aspectos técnicos como jogadas de ataque e defesa, o condicionamento físico é fundamental. Como a bola é pesada, eles fazem bastante musculação. ''Quanto mais forte a bola for arremessada, maior é a chance de fazer o gol. Por isso tem que trabalhar o bíceps, tríceps, e toda a parte da musculatura superior'', finaliza.


