Fala, professor
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
A inclusão de jovens com deficiência intelectual e física no sistema público de ensino vem gerando muita discussão e polêmica. Com a extinção das escolas especiais, não há outra alternativa senão se preparar para receber os novos alunos no próximo ano letivo nas escolas regulares de todo o estado. Mas se existe uma disciplina que precisava pelo menos de mais estrutura antes de qualquer mudança por parte do governo sem dúvidas é a educação física.
Decisões tomadas, resta aos professores de educação física encarar o desafio ao lado de diretores das escolas e pais dos alunos. Se ainda não há estrutura para receber os deficientes dentro das salas de aula, nas canchas esportivas o problema é maior. Adaptações nas quadras como rampas de acesso e qualificação dos profissionais que se queixam da falta de conhecimento específico para lidar com este público são apenas dois exemplos.
Segundo Gleice de Souza Patrocínio, mestre em educação especial e docente da Unopar, pesquisas apontam que a maioria das escolas se sente despreparada para receber os deficientes em 2010. Ela acredita que a inclusão é inevitável e deva acontecer de maneira gradativa, mas é fundamentel a realização de oficinas de reciclagem para capacitar os professores. Dá para ver que eles estão bastante apreensivos justamente por conta de um despreparo geral, considera.
Gleice afirma que a disciplina de educação física para deficientes está prevista na grade curricular do ensino superior pelo menos desde 1987. Com base nisto, acredita que em termos de formação os futuros professores saem com algum conhecimento. Entretanto, reconhece que para se aprofundarem é necessário cursar uma especialização, uma vez que apenas 65% das instituições já incluíram a disciplina na grade currícular. Mas pelo menos o contexto da deficiência fora do senso comum, de forma desmistificada, eles já conhecem, aponta.
Mas por outro lado, Gleice acredita que a mudança pela qual a disciplina de educação física tradicional passa atualmente pode contribuir de maneira positiva para a inclusão dos alunos especiais. A mudança na percepção de que as aulas devem apenas descobrir talentos esportivos ao lado da inclusão de novas modalidades como dança, ginástica e lutas pode ajudar na capacitação dos professores para atenderem também os deficientes.
Não acredito que aconteça de uma hora para outra, porque tudo que requer mudanças demanda um processo. A gente não educa um filho esperando o resultado no dia seguinte, mas esperando para o futuro. A inclusão é a mesma coisa, mas para isso é preciso pesquisa e aprimoramentos, finaliza.


