Fala, Professor
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domingo, 06 de dezembro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Qualquer mudança encontra resistência, não é fácil. Isso é fato, porque tanto para os mais velhos quanto para os jovens é difícil aceitar que aquele formato utilizado por muitos anos já não funciona tão bem, e, mais duro ainda é acreditar que a novidade tem realmente a relevância prometida. Nas escolas atendidas pelo Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE), a aula de educação física, que é disciplina das mais tradicionais, passa por uma verdadeira fase de remodelação.
De acordo com a coordenadora de projetos do NRE, Gláucia Cristina Bonora, até hoje a educação física na rede pública sempre priorizou o trabalho de descoberta e desenvolvimento de talentos no esporte. Futsal, basquete, voleibol, handebol e um pouco de atletismo imprimiam o ritmo das aulas. Porém, o objetivo agora é ampliar o leque de assuntos e ensinar também ginástica, dança e lutas (artes marciais).
Gláucia considera que trabalhar com a prática das novas modalidades será difícil no começo. Como não há material e poucos professores capacitados para estes conteúdos, a alternativa será optar pela parte teórica por meio de vídeos, filmes e pesquisas.
Talvez o tema mais difícil de introduzir neste contexto é o das artes marciais, como judô, karatê e taekwondo. Gláucia reconhece que mesmo como tema da disciplina de educação física a questão é muito polêmica. Porém, um trabalho de esclarecimento, mostrando o papel que as lutas desempenharam na história, debatendo conceitos filosóficos seja a melhor maneira de desmitificá-la.
Outro contexto onde a luta pode ser trabalhada é como forma de conter a agressividade, proposta da maioria das artes marciais. Gláucia acredita que a compreensão do aluno depende muito da maneira como o professor passa o conhecimento. Isso significa que é fundamental trabalhar com conceitos como respeito, disciplina e conhecimento.
O mais importante é incentivar o aluno a não usar de maneira errada nas ruas, porque pode machucar outras pessoas. Dentro da aula o trabalho é básico, sem aprimoramento técnico para evitar isto inclusive. Debater o conceito filosófico e a parte história são os principais obje-tivos, argumenta.
Mas o principal empecilho é lidar com a dura realidade que o professor da rede pública vive diariamente, como salários defasados e falta de incentivos. Neste contexto, a professora afirma que o trabalho acontece a longo prazo e a primeira tarefa é romper os paradigmas. Oficinas de capacitação já aconteceram neste final de ano com o objetivo de discutir tais questões.
A abertura da aulas de educação física também oferece novas formas de conscientização com relação a sáude dos jovens. Glaucia observa que nas aulas teóricas, falta debater, explicar e previnir temas tabus como o doping. Muitos alunos não sabem sequer o que significa, aponta. Outra alternativa é utilizar a ginástica como ferramenta para correção de problemas na coluna, que também amplia os cuidados com a saúde.
Mesmo com as dificuldades, Gláucia observa que parte dos professores ainda resiste, mas existem aqueles que já desenvolvem trabalhos que estão surtindo efeito como escolas que já trabalharam neste ano com aulas de dança e ginástica. Os mais resistentes já perceberam que vão ter que mudar as posturas profissionais, porque existem coisas que estão dando certo. Vai muito da consciência de cada profissional, acredita.


