Fala, Professor
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domingo, 22 de novembro de 2009
Renato Oliveira<BR> Reportagem Loca 
Há três anos, o personal trainer Evandro Becker iniciou um projeto vinculado à Associação de Deficientes de Londrina (Adefil) para trabalhar com musculação para deficientes físicos. A ideia era montar uma equipe para competir nos torneios nacionais, mas como o trabalho ganhou outros contornos, hoje, serve como terapia para amenizar o impacto psicológico quando a deficiência é oriunda de acidentes.
Segundo o personal, no começo todos apresentam quadro de depressão, mas depois que começam a participar de torneios com outros deficientes o convívio ajuda a reduzir as sequelas. Ele observa que as brincadeiras melhoram a auto-estima, amenizando os traumas.
''Muitos após os acidentes passam por uma fase de velório, onde tentam apagar os problemas para recomeçar a vida. Teve um que chegou aqui 'acabadão', ficava com medo sair de casa. Com o treino ele faz novas amizades, pois a maioria se define como antes trauma e pós-trauma. Com o tempo as amizades vão se renovando e nasce outra vida'', observa.
Dentre as dificuldades, o personal elenca a adaptação pois as academias não possuem aparelhos que comportem cadeirantes e portadores de outras deficiências. Outro detalhe é a ergonomia dos equipamentos, pois falta apoio nas costas para portadores de lesões muito acentuadas ou amputados.
Segundo ele, a especificidade do trabalho privilegia ganhos de autonomia na ações do dia a dia. Por exemplo, na hora de se transferir da cadeira para a cama ou para o vaso sanitário, a força que adquirem nos treinamentos agiliza e facilita a movimentação. ''Eles ganham tanta autonomia que até para tocar a cadeira e se apoiar nas muletas é mais fácil, pois aumenta a força'', ressalta.
Quanto a realização profissional, no começo Becker achava que seria chato, pois acreditava que o desafio de trabalhar com deficientes seria maior. Porém, a surpresa veio quando observou que a vontade de superação é a principal qualidade de quem possui alguma deficiência.
''Não tem comparação. Quando treinava com quem não tinha deficiência era uma enrolação. Aqui não tem isso. Quanto mais eu peço, mais eles fazem. Não tem meio termo. Eles são bem mais aplicados'', elogia.
Ele acredita que o ponto forte para a inserção dos deficientes físicos tanto no circuito esportivo quanto em outras atividades foi a implantação de sistemas adaptados para deficientes no transporte coletivo urbano.
''Antes das adaptações eles eram raridade pelas ruas. Poucos tinham condições de se deslocarem de bairros mais distantes. Em termos de acessibilidade, bem ou mal, não havia outra alternativa senão ficar trancado dentro de casa. Antes a alternativa era ficar esperando a boa vontade de alguém passar, agora é possível por mais difícil que seja'', arremata.


