Ao longo do tempo, devido às consequências do crescimento industrial e propagação do capitalismo, os diferentes grupos profissionais se defrontaram com diversas rupturas e transformações políticas, econômicas, culturais e sociais resultando em mudanças e reordenações nas formas de organização e intervenção profissionais. Tais fatos ocasionaram o surgimento, a transformação e a estratificação de tarefas dentro dos distintos campos profissionais, tornando-se crescente a demanda por conhecimento e mão de obra especializada na prestação de serviços na sociedade industrializada.
Consequentemente, esse reordenamento nas funções profissionais ocasionou uma divisão social e técnica do trabalho nos diversos setores da sociedade: funções políticas, administrativas, públicas e judiciárias, assim como também acontece com as funções artísticas (ou culturais) e científicas. Outrossim, a proporção e a complexidade dos fenômenos da sociedade contemporânea exigiram uma interdependência profissional nos diferentes segmentos da sociedade e, podemos afirmar que nenhuma profissão pode encarar e desvendar os problemas emergentes de forma isolada.
Dessa forma, as organizações se viram obrigadas a modificar os processos e relações de trabalho, incorporando novas tecnologias, recrutando pessoal qualificado para exercer alguns cargos e apostando em novas formas de estruturação das tarefas profissionais, entre elas a substituição do trabalho baseado no individualismo para uma característica de trabalho em equipe, visando atender com qualidade e eficiência as novas demandas.
O setor da saúde, com atuação de mais de uma dezena de categorias profissionais, representa um campo de intervenção profissional que sofreu forte influência da estratificação de tarefas. Até a década de 1970, as ações em saúde estavam centralizadas nas mãos dos médicos, ou seja, o diagnóstico e tratamento das doenças eram de sua responsabilidade. Entretanto, a partir da década de 1990, outros grupos profissionais passaram a fazer parte do processo de tomada de decisão acerca do processo de saúde-doença dos indivíduos, entre elas: Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Terapia Ocupacional, entre outras.
Podemos afirmar que a incorporação de novas profissões ao setor da saúde, possivelmente, assegurou uma prestação de serviços com mais qualidade e consistência teórica, pois conta a opinião de diversos especialistas para solucionar um determinado problema ou caso específico.
Além disso, acrescentamos que o trabalho em equipe no setor da saúde se tornou mais do que uma ferramenta de trabalho: tornou-se um recurso primordial para otimizar a eficácia nos serviços prestados aos pacientes/clientes/usuários no que diz respeito à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, pois esse tipo de trabalho beneficia o preenchimento de lacunas existentes nos diversos aspectos: social, físico, psicológico, psíquico, entre outros.
Segundo o documento oficial do CONFEF (Resolução nº 046/2002), uma das possibilidades de intervenção profissional em Educação Física reside em: ''identificar, planejar, programar, coordenar, supervisionar, assessorar, organizar, lecionar, desenvolver, dirigir, dinamizar, executar e avaliar serviços, programas, planos e projetos, bem como, realizar auditorias, consultorias, treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares, informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas das atividades físicas, do desporto e afins''.
Ainda hoje não podemos negar a influência do modelo biomédico nas ações em saúde, ou seja, entendemos que a Medicina representa a liderança nesse setor, coordenando e desempenhando as principais tarefas em relação aos conhecimentos acerca da saúde e doença dos indivíduos. No entanto, gostaria de ressaltar a grande importância da atuação especializada das demais categorias profissionais no trabalho em equipe, e salientar que a identidade de um grupo profissional estabelece-se a partir dos conhecimentos utilizados para sua intervenção profissional.
Daniela Schwabe Minelli é mestranda do Programa de Pós-graduação UEL/UEM, professora de Educação Física e técnica de Ginástica Rítmica na rede de ensino de Londrina

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