Existe uma lacuna entre a medicina e a educação física, que há cerca de 10 anos ganhou uma linha de estudos específica. É a fisiologia clínica do exercício físico que, por definição, procura estudar os mecanismos que podem melhorar a relação do homem com determinadas doenças sobretudo câncer, diabetes, hipertensão, cardiopatia, HIV/Aids, osteoporose e doenças pulmonares por meio das atividades físicas.
Para o professor Vagner Raso, que é doutor em Fisiologia do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP), antigamente acreditava-se que exercícios aeróbicos como natação, hidroginástica, caminhada e corrida eram as melhores opções para quem viveu muito tempo como sedentário e se viu obrigado a praticar exercícios.
''Porém, agora existem evidências de que exercícios com pesos, por exemplo, são extremamente importantes para a saúde das pessoas, inclusive para quem sofre de alguma doença'', analisa. As razões são extraídas de estudos oriundos do Colégio Americano de Medicina Esportiva, que preconiza em seus preceitos que ''antes de caminhar é necessário ser capaz de se levantar da cadeira (potência muscular) e manter postura ereta quando em movimento (equilíbrio). Portanto, o condicionamento aeróbico deve seguir força e equilíbrio, mas atualmente é o inverso''.
Outro postulado que, segundo Raso, aos poucos ganha as pautas é o conceito de envelhecimento saudável. Ele explica que o melhor entendimento não é ausência de doenças, mas a capacidade funcional de realizar atividades da vida diária sozinho, sem auxílio de outras pessoas mesmo portando alguma enfermidade. ''O envelhecimento é saudável desde que as doenças sejam controladas'', pontua.
Raso acredita que o panorama no futuro tende a exigir uma postura diante das pessoas com este perfil pré-determinado. Mesmo com os aspectos preventivos se sobressaindo sobre os tratamentos, não dá para deixar de lado a demanda deste público. Ele afirma que a maioria das pessoas possuem a imagem de que o envelhecimento saudável é a ausência de doença, fato que não se verifica na prática. ''Se observar, a maioria das pessoas quando envelhecem possuem alguma doença. Isso é muito comum, mas não é normal'', afirma.
Neste contexto, mais do que nunca é fundamental a prevenção, fato que permite longevidade associada a um estado de saúde favorável. Mas é importante não esquecer daquele indivíduo que nunca fez atividades na juventude e pode ter uma doença associada. ''É claro que ele pode não ter benefícios tão grandes quanto teria, mas o exercício pode melhorar ou até alongar a logevidade deles''.

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