Fala, Professor
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 2009
Renato Oliveira<Br> Reportagem Local 
O esporte tem sido o grande aliado de professores que trabalham com portadores de deficiência física ou intelectual, principalmente quando o assunto é melhoria na qualidade de vida. Segundo o professor Mário Molari, que desenvolve karatê com portadores de Síndrome de Down, elas estão divididas em dois grupos: intelectuais e físicas. As primeiras são as sensoriais, visuais e auditivas, pois mexem com o lado subjetivo do deficiente. Já as físicas, por sua vez, dizem respeito a má formação de membros superiores ou inferiores.
Tendo isso em mente, Molari explica que o primeiro passo no desenvolvimento de atividades é mapear as dificuldades do aluno. Conforme exemplifica, quem possui deficiência auditiva requer trabalhos de orientação das quatro direções (direita, esquerda, frente e costas). É a partir de uma evolução de noções básicas como essas que é possível trabalhar as técnicas do esporte, porque, senão, haverá dificuldade na hora do aprendizado, detalha.
Outra nuance do trabalho de Molari é saber desenvolver os membros de deficientes físicos. No caso dos cadeirantes, os trabalhos privilegiam sobretudo as partes superiores, como exercícios de braços, pescoço e quadril. O diagnóstico sobre o tipo de deficiência é o que vai definir o princípio de tudo. Quando se vai trabalhar a parte intelectual é a hora que aparece as dificuldades de compreensão por parte dos alunos e o professor deve saber lidar com a situa-ção, explica.
Molari atenta também para a especificidade de se trabalhar na área de educação especial. Ele acredita que professores bem resolvidos na vida pessoal são os que se saem melhores. O professor ensina que a dificuldade que o deficiente possui em aprender não deve desanimar o educador. Diferente do ensino tradicional, de repente é preciso dar três ou quatro aulas para compreenderem uma informação que o não-deficiente entende na primeira vez, alerta.
Diferente em cada faixa etária, Molari explica que pessoas na faixa dos 30 aos 40 anos precisam desenvolver atividades da vida diária, como se vestir, tomar banho, fazer passeios. Por isso, precisam ter a musculatura do corpo mais forte para conseguir realizar movimentos mínimos para quem não sofre de nenhuma deficiência, afirma. No caso das crianças, as atividades precisam ser mais lúdicas, pois o foco é trabalhar agilidade, equilíbrio, deslocamento e saltos. Esse conjunto de funções melhora muito a qualidade de vida deles no futuro, acredita.


