Fala, Professor
Muito se fala atualmente sobre os efeitos nocivos do sedentarismo sobre a saúde da população. Ao mesmo tempo em que os avanços tecnológicos nos proporcionaram confortos que nossas avós jamais poderiam imaginar, por outro lado nos tornamos reféns dessa própria tecnologia e, como resultado, nos movimentamos cada vez menos. Usamos o carro para ir até a padaria, o controle remoto para trocar o canal da TV que está a um metro e meio do sofá e, pior, quando podemos desfrutar de momentos de lazer, optamos por fazê-lo sentados, preferencialmente em frente à TV ou ao computador. Porém, tanto conforto tinha que ter um preço.
Nos mexemos menos, interagimos menos e, como resultado, nossa saúde não pode ir bem, o que pode gerar um decréscimo em nossa qualidade de vida. O termo qualidade de vida é de definição complexa e está relacionado à forma como os indivíduos percebem sua vida em determinado momento e abrange muitos significados que refletem conhecimentos, experiências e valores. Entretanto, é inegável sua relação com os conceitos de saúde e autonomia. Embora não seja possível afirmar que a simples prática regular de atividades físicas possa ser a única responsável pela melhora da qualidade de vida, é cabível supor que esta será capaz de gerar um resultado positivo na saúde, na autonomia e na forma como o indivíduo se percebe em relação a si próprio e à sua coletividade.
Assim, ainda que o ócio e nosso sofá nos pareçam extremamente convidativos, precisamos gradualmente incorporar hábitos saudáveis relacionados à saúde. E essa mudança de hábitos passa obrigatoriamente pela prática regular de atividades físicas. No entanto, antes que se alegue falta de tempo ou de recursos para se frequentar uma academia ou clube, lembramos que esta prática pode ser incorporada pela simples mudança de pequenos hábitos diários, sem a necessidade de reformulações bruscas na rotina. Algumas pesquisas recentes têm evidenciado que a prática de atividade física por 30 minutos diários, na maior parte dos dias da semana, já é capaz de gerar um impacto benéfico na saúde dos indivíduos. Além disso, essa atividade pode ser agregada das mais variadas formas, como em pequenas caminhadas acumuladas ao longo do dia, a subida de escadas e atividades domésticas como jardinagem, por exemplo.
Portanto, antes de pensarmos que é preciso mudar radicalmente nossas vidas para deixarmos de ser sedentários, devemos buscar em nossas rotinas situações em que seja possível nos movimentarmos mais ao invés de cairmos nas tentações da como-didade. Será que precisamos subir até nosso apartamento sempre pelo elevador ou poderíamos então usar as escadas ainda que por alguns andares? Não seria interessante levarmos nosso cachorrinho para passear todos os dias caminhando em uma praça, ainda que por 15 minutos? Será realmente necessário pegar o carro toda vez que quisermos ir até a padaria ou farmácia no nosso próprio bairro? Se pararmos para analisar com cuidado, certamente descobriremos várias situações em nosso dia a dia em que podemos perfeitamente abrir mão da preguiça e buscarmos alternativas para nos movimentarmos mais. E o mais interessante é que, embora no início isso pareça uma obrigação, a tendência ao longo do tempo é que esta atitude passe a ser incorporada em nossas rotinas de forma prazerosa.
Para aqueles mais animados, a busca por um programa regular de exercícios físicos orientados, em alguma academia ou centro de prática, pode ser uma boa opção. Além dos benefícios físicos e motores observados, o praticante poderá se beneficiar com a melhora de sua autoestima e ainda terá a oportunidade de conhecer novas pessoas, o que acarretará em ganhos psicológicos e sociais. Ao se exercitar, normalmente o indivíduo busca somar na sua rotina outros hábitos saudáveis, como melhor alimentação e qualidade de sono, o que, em conjunto, pode levar a um ganho substancial na qualidade de vida e reverter em uma saúde muito mais positiva.
Independente da opção que se faça, o importante nesta época de tantos apelos tecnológicos que facilitam nossas tarefas e nos distanciam cada vez mais dos contatos pessoais, é que busquemos em nosso dia a dia oportunidades para nos movimentarmos. Esta escolha, ainda que isoladamente possa não reverter necessariamente em aumento no número de anos vividos, certamente é capaz de influenciar de maneira muito positiva a nossa saúde e a forma como encaramos nossa vida.
Márcia Greguol é docente no Departamento de Educação Física (CEF), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).





