Fala, Professor
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Uma atividade física que costuma estar pautada mais na filosofia de vida e na arte do que nos resultados competitivos. O kung-fu é uma arte marcial chinesa, imortalizada nos filmes de Bruce Lee e Brandon Lee, onde princípios como disciplina, determinação e dedicação utilizados na vida e nos treinos podem valer mais que medalhas e troféus.
Segundo a professora Renata Balestrini existem vários estilos que estão divididos em dois tipos: kung-fu wushu (mais ligado ao esporte) e o tradicional. Ela explica que o primeiro é procurado por quem pratica para competir e virar um atleta marcial, e o segundo é derivado do templo Chaoin, na China, onde a meta é ser artista marcial e não atleta. Os treinos servem para nossa saúde, nosso bem-estar, resume.
Ela explica que o governo chinês nos últimos anos passou a incentivar o estilo wushu, que é a vertente mais esportiva, com vistas na participação nas Olimpíadas, com intuito de gerar mais ibope para o país. Mas é difícil, porque não houve número de países inscritos, justifica.
Renata é precursora do estilo tradicional entre os adeptos londrinenses. Praticante desde os 6 anos de idade, chegou à cidade quando tinha 16 anos, em 2000, e montou a primeira turma. Até hoje não existe outra escola de tradicional por aqui, pontua. A sifu, que significa pai ou mãe da escola, conta que o mestre Li Hon Kin, da China, chegou em 1979, no país, para fundar a Confederação Brasileira de Kung-Fu e difundir o estilo tradicional.
Segundo Gilmar Batista dos Santos, instrutor e faixa marrom-ponta preta, muitos chegam nas academias para saciar a curiosidade aguçada nos filmes de luta. Ele recorda que quando procurou o objetivo era deixar de ser uma pessoa menos acanhada. O kung-fu para mim é isso, romper barreiras, define.
A sifu explica que os treinos são divididos em três partes e o aquecimento trabalha a resistência física com polichinelos, abdominais e flexões de braço e pernas. Depois é a vez dos treinos de combate, com socos, chutes e técnicas de defesa. A terceira parte são os katis, que significa rotina. Nós praticamos as movimentações usando bastões, lanças, nunchacos, facão e de mãos vazias, detalha.
Outro ponto importante é a origem dos golpes que, segundo Renata, são inspirados no movimento de animais, como tigre, dragão, leopardo, serpente e garça. Na hora de treinar você utiliza características destes animais como respiração e inteligência. Existe também os elementos que representam como ouro, fogo, terra, madeira e ar. Cada animal é associado a um elemento dentro do kung-fu.
A origem do uso das armas vem dos camponeses, na China, do século XIX. A professora explica que na época a população se defendia das investidas do exército com instrumentos de colheita como tridentes, adagas, facas rabo de tigre, nunchaco e correntes. Os objetos para defesa acabaram sendo incorporados ao kung-fu, diz.


