Fala, Professor
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
No Brasil, o vale tudo começou a ganhar vida nos anos 90 quando a família Gracie passou a organizar os primeiros Ultimate Figth. A principal marca desta fase era a possibilidade de lutadores de diversas modalidades como jiu-jitsu, muay thai, boxe, sumô, capoeira, karatê e luta greco-romana se encontrarem no ringue para saber qual arte era a mais poderosa.
De acordo com o lutador e instrutor Christian 'Tide' Schietti, com o passar dos anos o vale tudo adquiriu identidade própria e a melhor denominação é Mixed Martial Arts (MMA). Ele recorda que antigamente os interessados treinavam apenas uma arte, mas com acirramento das competições a busca pelo conhecimento de outras modalidades complementares trouxe novo formato ao esporte. ''Nos Estados Unidos é muito forte a mistura entre boxe e o rastling (luta olímpica). Já no Brasil a base é o jiu-jitsu e o muay thai'', definiu.
Para Everaldo Lepri, professor da Academia Esparta, todo lutador começa treinando artes de maneira isolada e com o tempo vai agregando os conhecimentos e formando um estilo próprio. Conforme explica, as técnicas de luta são treinadas tanto em pé, quanto no solo, porque o vale tudo admite golpes quando o oponente vai à lona. ''É um esporte que exige um nível alto de especialização técnica'', pontua.
Quando se fala em condicionamento físico, Lepri ressalta que é exigido um forte trabalho de musculação e preparação física. ''Aqui o aluno faz desde levantamento de pneus e subidas de escadarias até corrida, natação e exercícios de coordenação motora como pular cordas'',afirma.
Por ter um alto nível de contato e combate entre os adversários, o vale tudo ainda é visto com preconceito por muitos. Segundo Tide, grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba já possuem lutadores que são vistos como ídolos, mas em cidades do interior ainda existem restrições.
''Hoje as regras mudaram muito e está liberado, mas nos anos 90 era proibido devido a uma briga que aconteceu no Rio de Janeiro. Em Londrina, as coisas estão começando tendo em vista que os patrocinadores não querem atrelar a marca deles ao vale tudo. Isso é falta visão empresarial'', alfineta Tide.
Mas para popularizar e ganhar confiança na comunidade é preciso disciplina. Para tentar controlar o comportamento dos alunos, Lepri e Tide destacam que ao entrar numa academia, todos são informados que ''as técnicas devem ser usadas somente dentro da academia''. ''Elas servem apenas para se defender. Esse é o dogma da academia'', diz Lepri.
Na visão de Tide, a disciplina quanto ao uso das artes marciais surge a partir do momento que o lutador passa a perceber a potência que tem nas mãos. ''Quando se aprende a defender um golpe o lutador fica por dentro do que é violência. Ele sabe que se torna uma pessoa perigosa. É aquela coisa: quanto maior o seu poder, maior a responsabilidade'', alerta.


