Ritmo, ginga e cultura afro-brasileira. É a capoeira que surgiu entre escravos negros, há cerca de 500 anos, e hoje ganha adeptos de todas as classes sociais. O primeiro estilo do qual se tem notícia é chamado capoeira ângola, mas hoje existem pelo menos mais duas vertentes como a benguela e a contemporânea, também conhecida como capoeira regional.
Na opinião de Paulo Henrique Cerqueira, o Piu, as diferenças são sutis e perceptíveis apenas pelos adeptos mais atentos. Ele afirma que a capoeira ângola consiste ''naquele jogo mais manhoso, jogado no chão, bem lento, que chega a ser chorado''.
Já a benguela é um estilo intermediário, situado entre ângola e regional, onde os golpes são aplicados em cima e embaixo e que procuram ''trabalhar o balanço da capoeira com muito floreio''. Já o estilo regional é muito usado em apresentações por conta das trocadas de pernas e saltos mortais.
De acordo com Piu, a ginga é elemento principal de qualquer estilo. Ele afirma que em todos os lugares do mundo quando se vê alguém gingando a primeira lembrança que vêm à mente é o Brasil. Além dos trejeitos africanos, a capoeira é uma luta que engloba movimentos de outras modalidades como o muay-thai, jiu-jitsu e boxe. ''Existem movimentações de chão e agarramento, que são originárias do jiu-jitsu. Do muay-thai vieram os chutes e joelhadas'', exemplifica.
Dentre os movimentos nativos, o capoeirista elenca a meia-lua de frente, queixada, armada e martelo como os mais conhecidos. Há 10 anos, Piu conheceu a capoeira com o Mestre Fran (fundador do grupo Maculelê) e desde 2003 trabalha como instrutor. Dentre os ganhos que oferece enquanto esporte, ele afirma que é possível comparar com a natação por trabalhar com grande número de membros. ''Ela é aeróbica e anaeróbica ao mesmo tempo, porque mexe com respiração, força e condicionamento físico'', pontua.
Segundo o instrutor, dentre as lições que aprendeu ''jogando'' capoeira, a principal foi ser cidadão. De origem carente, ele afirma que muitos colegas de infância começaram a treinar na mesma época e desistiram. Por não seguir os conselhos dos mais velhos seguiram os caminhos da marginalidade e tiveram um destino pior. ''Hoje, dou aula para doutores e advogados e quem diria que eu iria virar um educador vindo de onde vim. Vejo que a capoeira pode passar ainda mais que isso'', reflete.

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