Diria que aqueles que vivem bastante são seres humanos vivenciando mais uma etapa da vida, com uma riqueza incalculável, que poucos sabem mensurar. Estima-se que em 2020 as pessoas acima de 65 anos terão um aumento globalmente em 82% em relação à atual. No Brasil, a proporção será de um idoso para cada 13 pessoas. De acordo com as estatísticas brasileiras em 2020 a população terá aumentado em torno de 15 vezes mais em relação ao ano de 1950.
Inúmeras teorias definem o processo de envelhecimento como um fenômeno complexo e variável, pertinentes a todos os membros de uma determinada espécie. Podemos dizer então, que o envelhecimento é uma somatória das alterações biológicas, psicológicas e porque não sociais, cada qual com a individualidade que lhe cabe. Mas não podemos esquecer que tal processo leva os idosos a um declínio das aptidões funcionais como por exemplo força, flexibilidade (que depende de um processo de redução da rigidez muscular para deixá-los mais fortes, ganhando uma certa flacidez), condição cardio-respiratória, agilidade, equilíbrio e coordenação.
Tais alterações acima citadas colocam em risco a qualidade de vida, limita o idoso a desenvolver atividades do cotidiano, assim como os tornam mais suscetíveis a doenças. O sedentarismo também acompanha o processo de envelhecimento, e torna-se então um fator de risco para as doenças cardio-vasculares e crônico-degenerativas: diabetes, obesidade, câncer e doenças respiratórias entre outras. Tais doenças representam a principal causa de mortalidade e incapacidade dos idosos.
Infelizmente envelhecer traz alguns impactos e mudanças no indivíduo como diminuição da estatura. As mulheres são mais acometidas que os homens, ocorrendo com mais rapidez devido a osteoporose após a menopausa e o incremento da massa corporal que inicia por volta dos 50 anos, estabilizando então aos 70 anos de idade. A composição corporal também sofre mutações devido à diminuição da massa livre de gordura e o aumento da gordura corporal.
A gordura localizada na região central e visceral favorece inúmeras doenças. A diminuição da massa mineral óssea, se relaciona com o aspecto hereditário, a questão hormonal, nutricional, assim como o nível de atividade física faz com que o idoso esteja mais propenso a osteoporose, quedas e fraturas. A força muscular também ocorre um declínio, ocorre uma perda entre 10% a 20% nos idosos. Consequentemente, aumenta a fadiga muscular, diminui a capacidade hipertrofia do músculo e dificulta a mobilidade na hora de realizar tarefas do cotidiano.
Finalmente, a prática de exercícios bem orientada é comprovada por inúmeras pesquisas que, além de combater o sedentarismo, é uma estratégia para prevenir e retardar as alterações fisiológicas. Como consequência, também contribui de maneira significativa para que o idoso tenha uma melhor qualidade de vida, melhor capacidade motora para desenvolver suas tarefas no dia a dia e, principalmente, proporcionar os benefícios nos aspectos físico, mental e social, prevalecendo sempre em primeiro lugar o bom senso.

Néia Mazzotti Dakkache é professora de educação física formada pela Univerisdade Estadual de Londrina (UEL) e ministra aulas de alongamento em clínica particular

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