Fala, Professor
A natação competitiva é fascinante, pois o professor tem que planejar o tempo todo, desde quando recebe a criança até chegar a atleta de nível nacional. A criança tem que começar com uma boa base e corrigir estilos, saídas, viradas e chegadas trabalhando muito alongamento e ginástica para se preparar para o futuro. Mas é importante tomar cuidado para não ultrapassar os limites precocemente e prejudicar seu futuro (over trainning, problemas cardíacos, estresse, etc.).
Passando esta fase inicial, começamos a trabalhar todas as zonas energéticas, sempre respeitando a maturação e os limites do atleta, começando assim, com musculação, ginástica, acompanhamento psicológico, nutricional e médico. Não é um trabalho fácil, pois o atleta de nível treina em média, de nove a doze vezes por semana, no frio ou calor, com ou sem chuvas e sempre no seu limite: o objetivo é treinar muito e ter disciplina para alcançar o sucesso.
Como a natação é um esporte individual, na hora da competição só depende dele, que não pode errar a forma de nadar, tendo que planejar e se concentrar muito. Hoje a natação tem vários fatores extra água que ajudam atingir suas marcas como maiôs, testes (lactato e medidas), aparelhos (controle cardíaco, pressão) e exames clínicos.
Com tudo isto ainda dependemos da ajuda da comissão técnica, pais, clubes, patrocínios e poder público. Apesar dos clubes do Brasil passarem por muitos problemas econômicos ainda estamos obtendo muitos resultados como registrado no passado, a exemplo de Gustavo Borges, Xuxa, Rogério Romero e agora com Cielo, Thiago Pereira, Kaio Marcio. Já no Paraná, a situação não esta muito boa, pois os melhores atletas estão migrando para outros estados como Henrique Rodrigues, Diogo Yabe, Ana Carla Carvalho.
Os atletas dos Jogos Abertos após os 17 anos não tiveram ajuda financeira para dar continuidade aos seus treinamentos e também não temos estrutura nas universidades que apóiam o esporte e incentivam os estudos paralelamente. É o caso dos atletas Felipe Kasuya, Luiz Almeida, Matheus Silva, Leonardo Pires, Eloise Almeida, que pararam para estudar para o vestibular, todos de nível nacional e também medalhistas.
Em Londrina está complicado, pois os clubes não estão tendo equipes de natação e o poder público até tempos atrás ajudava muito pouco. Ainda não se se sabe se a nova administração irá mudar este procedimento. Apesar de todas as dificuldades, continuo trabalhando para que esta nova geração de atletas nunca acabe e apareçam sempre novos talentos, pois gosto muito de trabalhar nesta área, enfrentando qualquer desafio profissional para que Londrina continue sendo representada por atletas de nível nacional.
Waldemar Dema Blota Júnior é técnico de natação em Londrina.





