Fala, Professor
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terça-feira, 09 de junho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
O rapel é uma técnica de descida para transpor prédios, paredões e principalmente cachoeiras e montanhas com uso de cabos e cordas. Mas defini-lo como um esporte é uma tarefa que divide opiniões, uma vez que muitos acreditam que seja uma atividade recreativa, oriunda das técnicas do montanhismo. Por causa deste detalhe o rapel ainda ainda não conquistou o status de prática isolada, explica o professor de educação física e rapel Alexandre Alves Pereira, que compartilha da segunda vertente de praticantes.
Mas em termos práticos, é uma atividade física que trabalha o sistema motor com intensidade nas regiões das pernas, quadríceps, glúteo, abdômen e lombar. Na verdade, durante a descida a mão controla a velocidade e o abdômen estabiliza o corpo em conjunto com o controle das pernas. O mais interessante é que, na hora de abaixar e levantar as pernas apoiadas no paredão, o movimento é o mesmo feito no legpress de uma academia, explica
Muitos enxergam o rapel como um lazer aos finais de semana, mas isso não exime o adepto de manter preparo e condições físicas adequadas. Sem condicionamento ele não vai conseguir se divertir, vai passar um perrengão, emenda Pereira. Para evitar contratempos é importante dedicar algumas horas do dia a atividades aeróbias corridas, pedaladas, esteiras e afins com intuito de garantir um pouco de divertimento.
Os benefícios do rapel não se limitam apenas à esfera física, mas agem com bastante intensidade na parte emocional. Segundo Pereira, durante a descida ocorrem picos de descarga de adrenalina no organismo que atuam sobre o sistema neuro-sensor. Se você está com raiva de alguém, na hora que você chegar lá embaixo não vai nem lembrar mais. Fica igual uma criança por causa dessa descarga de adrenalina, elenca. Conforme complementa, depois de superar a sensação de medo e absorver a sensação de liberdade isso deixa o rapeleiro extasiado. Esse é principal motivo para a procura por esportes de risco e ação, diz.
Outro detalhe importante para não passar mal na hora de descer uma montanha é tomar cuidado com a alimentação. Além de acarretar uma hipoglicemia ou tonturas, praticar atividades físicas com o estômago muito cheio pode culminar numa descarga de adrenalina repentina que vai interferir no metabolismo. Por isso, tem que comer coisas leves, aponta. Segundo Pereira, frutas, massas, bolachas salgadas e suplementos são os alimentos que auxiliam o atleta neste contexto.
Mas o principal fator de risco que o interessado no rapel deve observar é a pressão arterial. É a única coisa que pode matar alguém fazendo rapel, define Pereira. Situações de risco elevam os batimentos cardíacos e isso pode culminar num infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC). Você vira uma bomba relógio, pontua.
Um simples resfriado é outra deficiência de saúde que pode complicar a vida de um rapeleiro. Segundo o professor, uma gripe diminui o fluxo de oxigênio no corpo o que aumenta as chances de tontura em movimentos de descida dos barrancos. O rapel é uma atividade muito segura, mas se você abusar claro que tem perigo, alerta.
Mas os cuidados físicos e psicológicos exigidos do rapeleiro trazem consigo uma série de benefícios. Segundo Pereira, o mais notável é a sensação de liberdade, de poder fazer aquilo que você nunca imaginou que conseguiria.


