Fala, Professor
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sábado, 06 de junho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
O beisebol já tem um capítulo na história de Londrina, como o esporte que aglutinava toda colônia japonesa uma das principais da região nos kaikans de final de semana. Porém, com o passar dos tempos os mais velhos foram se aposentando e as gerações posteriores não assimilaram o hábito. Somado ao fenômeno dekassegui, que esvaziou os campos, alguns patrocinadores se afastaram e a alternativa foi ensinar aos brasileiros para o esporte não desaparecer.
Com o intuito de resgatar o espírito do beisebol, a Associação Cultural e Esportiva Londrinense (Acel) por meio da Ong Instituto de Educação Cultura e Esporte criou em 2003 um projeto de reinserção social focado em alunos carentes de escolas da periferia. Nós precisávamos divulgar mais, porque ficar restrito à colônia não tinha jeito. Após um contato com a Secretaria de Educação, propomos um projeto sobre beisebol nas escolas municipais, conta o coordenador Pedro Bando.
A faixa etária oscila entre 9 e 10 anos e nestes seis anos na ativa dois atletas ganharam bolsa no Japão. Atualmente eles jogam e estudam custeados por universidades nipônicas. Mas como na vida nem tudo são flores, Bando elenca que lidar com meninos carentes é difícil. Eles carecem de socialização, educação e disciplina que são fundamentais em termos de beisebol. Como seus problemas vão neste sentido, até colocarem os meninos nos eixos demora, analisa.
Entretanto, o convívio cria laços de afetividade e a relação extrapola o patamar de projeto social. Bando tenta passar para os jovens conhecimentos adquiridos com os pais, mas as broncas são mais comuns devido ao temperamento explosivo deles. É muito difícil lidar, porque normalmente os rebeldes são os mais talentosos, admite.
Mas a lição mais importante que Bando tenta transmitir para os garotos é a perseverança. Como os mais velhos são pessoas bem sucedidas pelo lado financeiro, o melhor exemplo é mostrar que muitos só conseguiram chegar lá com dedicação. Não adianta achar que não consegue e desistir sem ao menos tentar fazer. Tem que insistir, porque tudo que você for fazer na vida será assim, acredita.
Para Bando, a humildade também é uma ferramenta que também não pode ser esquecida. Segundo ele, o fundamento do esporte na formação do cidadão consiste em agradecer a vitória e superar a derrota. Para mim é um esporte que consegue sintetizar tudo que você vai enfrentar na vida. Como é um jogo de concentração, você precisa focar naquilo que está fazendo: isso também é a vida, arremata.


