Fala, Professor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de junho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Postura, elegância, elasticidade, feminilidade. Os elementos básicos da ginástica rítmica ou GR, como é popularmente conhecida, dão o ar da graça ao esporte praticado com expressividade pelas mulheres. Aperfeiçoamento do trabalho postural é o que uma menina que pratica ginástica rítmica vai levar para o resto da vida, porque ensina a maneira correta de caminhar ou de se sentar, aponta a professora Márcia Aversiani, coordenadora da equipe de Ginástica Rítmica da Unopar.
Os movimentos da GR são inspirados no ballet clássico misturados com elementos da ginástica moderna. Os movimentos contemporâneos estão em evidência hoje porque existe uma liberdade de criar com apoio dos aparelhos. Enquanto a bailarina tem um movimento mais cadenciado, contínuo, a ginasta aproveita essa base em solo e soma ao uso dos aparelhos. É a junção disto que dá dinâmica à ginástica, explica.
De acordo com Márcia, por conta desta riqueza de detalhes os pediatras costumam indicar a ginástica rítmica para crianças que precisam melhorar a postura. Esta é a maior demanda. Já o desenvolvimento motor tem uma procura menor, mas eu acredito que seria o esporte ideal para uma criança com atraso motor, detalha. Isso é possível devido ao uso de materiais como corda, arco, bola e fitas que ampliam o ganho da capacidade motora.
A capacidade física mais exigida pela GR é a flexibilidade, que segundo a professora é de grande importância nas regras de pontuação de competições. Por exemplo, conseguir alcançar os pés com as mãos é um avanço para uma pessoa comum. Mas para uma ginasta este é um dos movimentos mais simples. Se a flexibilidade não for desenvolvida de forma total, ela não vai alcançar os movimentos técnicos da modalidade, contextualiza Márcia.
Porém, em meio a busca por tanta perfeição um detalhe é fundamental: aceitar as diferenças dos companheiros. Na sua opinião, além dos exercícios que aperfeiçoam a postura e flexibilidade, as aulas objetivam mostrar noções de trabalho em grupo. Hoje, nem todos tem o mesmo nível de flexibilidade ou o mesmo talento para a modalidade. É importante que ela saiba que na vida é preciso saber se comportar e respeitar as outras pessoas, porque é fundamental para a formação da sua personalidade, elenca.
Em termos anatômicos, a ginástica rítmica trabalha com o corpo dividido em três grandes articulações: pernas (coxa femural), coluna vertebral (hiperextensão) e ombros (escápulo umeral). Segundo Márcia, para uma prática perfeita dos movimentos é preponderante um bom ângulo de execução. Por exemplo, quando a ginasta faz um espacato abertura de pernas é exigido da musculatura o maior ângulo de flexibilidade das articulações.
Para atingir tal envergadura, Márcia acredita que o trabalho deve começar na infância. Isto acarreta em um alongamento uniforme de toda a musculatura e proporciona maior flexibilidade na hora das apresentações. Na hora de executar um movimento completo estas três articulações trabalham juntas, aponta.
Mas o retorno de um investimento na prática da ginástica rítmica resulta em outros valores agregados. Márcia costuma citar que algumas de suas alunas, que não seguiram a carreira de atleta e optaram por serem dentistas ou psicólogas, aprenderam uma importante lição. Quando nos encontramos, elas comentam que a importância da ginástica extrapolou os termos posturais e ajudam em questões como responsabilidade, ética e respeito ao próximo, arremata.


