Raciocínio, concentração e reflexos. O tênis de mesa é considerado a variante mais ativa do xadrez, porque exige concentração e estratégia características muito similares ao jogo do tabuleiro. De acordo com o instrutor Willian Kumagai, o esporte traz benefícios como aumento da coordenação motora e também é o segundo que mais utiliza a mente, perdendo apenas para o já citado xadrez.
  ‘‘É também o mais difícil de praticar pela variedade de efeitos que você pode imprimir na bolinha com a raquete’’, define o mesatenista. Na visão de Kumagai, os técnicos dos principais campeões mundiais costumam falar que o tênis de mesa exige muito do raciocínio do jogador. ‘‘Você tem que tentar pegar o seu adversário de surpresa com alguma jogada inesperada. É isso que faz a diferença’’, completa.
  Mas o raciocínio é fundamental desde a hora do saque, porque antecipar as jogadas posteriores do adversário é tão importante quanto acertar a bolinha com a raquete. Segundo Kumagai, induzir o adversário ao erro é uma forma de utilizar jogadas estratégicas. ‘‘Por isso que se fala que é um jogo muito pensado, ainda mais com as variáveis de efeito. É isso que faz ficar próximo do xadrez’’, analisa.
  Mesmo exigindo empenho do lado intelectual, preparo físico é um detalhe fundamental para aguentar o ritmo da partida. ‘‘Na hora de tomar decisões, o raciocínio fica lento e você não consegue acompanhar se não tiver um bom preparo. 80% do desempenho é atribuído a ele’’, aponta. Mas por outro lado, o controle emocional é também de fundamental importância porque é o responsável pela concentração. ‘‘Perder um pouquinho de atenção pode colocar uma partida inteira por água abaixo’’, pontua.
  Na hora da competição existem algumas peculiaridades do esporte que fazem a diferença. Para o mesatenista, o fator explosão – que consiste no deslocamento rápido em torno da mesa durante a partida – é a característica mais importante porque as cortadas chegam a atingir 200 quilômetros por hora. ‘‘Por isso é preciso ter muito preparo físico. A explosão funciona, por exemplo, como uma arrancada numa prova de natação’’, compara lembrando que numa partida o atleta corre em média 10 quilômetros em pequenas passadas.
  Para dar conta do recado, os treinamentos devem ter como base exercícios que desenvolvam resistência e velocidade. Kumagai acredita que ‘‘não existe fórmula’’ para treinar estes dois aspectos separados, mas no dia a dia é possível ‘‘encaixar uma coisa na outra’’. ‘‘Tem que treinar a parte física primeiro e em volta da mesa praticar velocidade e raciocínio juntos. Seu fundamento permite unir todas estas coisas’’, arremata.

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