Devolver a alegria de viver a quem perdeu os movimentos das pernas. Se por um lado uma fatalidade pode mudar o destino a qualquer momento, por outro, o trabalho solidário da equipe da docente de educação física, Rosângela Busto, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem mudado a vida de vítimas de acidentes com arma de fogo ou automobilísticos e mergulhos em águas rasas. ‘‘O principal reflexo que eu detectei na vida deles é que passaram de pacientes para atletas’’, observou.
  Rosângela considera a tal mudança ‘‘da condição de pacientes para atletas’’ como um avanço radical. ‘‘Eles deixaram de fazer um atendimento médico para participar de uma atividade física prazerosa e com expectativas de retornar ao convívio social novamente’’, conta. Conforme justifica, agora os cadeirantes estão integrados dentro da universidade e são vistos como qualquer outro indivíduo. ‘‘Eles passaram a resgatar o respeito das pessoas a partir da풒, completa.
  Outro avanço diz respeito a autoestima dos deficientes, pois na avaliação de Rosângela é possível detectar nitidamente uma melhoria no âmbito físico. ‘‘Você percebe que os meninos passaram a cuidar um pouco mais da própria aparência. A maior parte dos que entraram aqui já trocaram suas cadeiras de rodas, que eram mais simples, por modelos mais bonitos e chamativos. Também mudaram o corte de cabelo e os modelos das roupas. Isso é um avanço muito interessante’’, avalia.
  Segundo a docente, num primeiro momento foram apresentadas várias modalidades individuais como atletismo, natação, tênis de campo e de mesa. Conforme relata, como os pacientes já são atendidos de maneira individual no Hospital Universitário (HU), oferecer outra atividade individual durante a reabilitação não traria benefícios em um ponto fundamental: o convívio social. ‘‘Por ser coletiva, acho que o basquete chamou a atenção devido à possibilidade de fazer parte de um grupo’’, acredita.
  Durante os três anos de funcionamento do projeto alguns fatos curiosos chamaram a atenção da coordenadora. Certa vez um um atleta teve um problema de infecção urinária e foi para o hospital. Na ocasião arrumou uma namorada e agora já moram juntos. ‘‘Também tem dois dos nossos meninos que já tiveram filhos depois dos acidentes. Por isso eu percebo que voltaram a ter toda uma vida. Antes a rotina se resumia no trajeto casa - hospital e vice-versa. Com o projeto eles trocaram isso por uma vida social ativa’’, defende.
  Além da formação de uma nova família, outro fator extremamente importante é a mudança na visão de mundo. Segundo Rosângela, eles já não se enxergam como os únicos no mundo e ela atribui este detalhe como consequência do projeto. ‘‘Agora eles já são parte de uma comunidade de indivíduos porque há uma interessante troca de experiência entre eles. Pode ver, eles voltaram a trabalhar e como estão inseridos novamente no mercado de trabalho também são produtivos. Pelo que tenho notado, logo vamos ter que mudar o horário do projeto, porque muitos procuram trabalhar, ser independentes e a cuidarem da própria vida’’, arremata.

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