Ao saber que vai ser pai de um menino, um dos primeiros filmes que se passa na cabeça da maioria dos homens é do garoto brilhando nos gramados. Porém, é essa fascinação masculina de que os filhos sejam jogadores de futebol que pode atrapalhar o sonho.
O alerta é feito pelo professor de Educação Física Felipe Rodrigues Veloso, de 39 anos, que comanda a escolinha do São Caetano em Londrina e que já passou por vários clubes do futebol paulista. ''Os pais fazem muita pressão em casa e aqui também, assistindo aos treinos e isso prejudica a própria criança. Com uma pressão menor, é mais fácil para a criança trabalhar. Essa cobrança tem que vir do professor'', explicou Veloso.
Ele relatou que têm pais que obrigam o filho a frequentar as aulas de futebol contra a vontade da criança. ''Tem menino que está aqui porque o pai obriga, infelizmente. A gente conversa, mas não adianta''.
Veloso trabalha com 236 meninos com idade entre 4 e 17 anos. Ele faz desde a iniciação até o pontapé inicial para uma possível carreira futura. ''Nós temos que ser rígidos, mas ao mesmo tempo carismáticos e pacientes. Os pais não chegam aqui e pedem para ensinarmos os filhos a jogar bola e sim para educarmos as crianças, porque em casa já não conseguem mais'', comentou.
A escolinha, também incentiva o estudo. ''Quem tira nota vermelha não participa de campeonatos. Também proibimos palavrões e incentivamos a procura por uma religião. Se vamos formar jogador eu não sei, mas cidadãos, com certeza''.

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