Fala, Professor
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Você sabia que há aulas de Educação Física até para os alunos que voltaram aos bancos escolares depois de adultos e que frequentam a escola no período da noite? É para esse público que o professor de Educação Física Oscar Filla dá aulas no Colégio Estadual José de Acnhieta, região central de Londrina. Filla, que é também assessor da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), dá aulas há quase 20 anos nos colégios Anchieta e Vicente Rijo. Nos períodos normais atende alunos de 7 e 8 séries e do Ensino Médio. E à noite desenvolve trabalho no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Estes precisam cumprir 64 horas/aula de Educação Física durante o supletivo.
Nessas aulas, Filla repassa todos os conteúdos estruturais da disciplina: luta, jogos, dança, esporte e ginástica. ''É gostoso trabalhar com eles, porque, como são grupos pequenos, posso dar mais atenção a cada aluno. Como são adultos, se enturmam com facilidade e aproveitam bem esse momento, que é único que têm fora de sala de aula'', diz o professor. As atividades são as mais variadas: além dos esportes de quadra e dos jogos mais tradicionais, como tênis de mesa, dominó e xadrez, Filla desenvolve com os alunos dança de salão, shows de talentos, vídeos e textos educacionais, alongamento e atividades de intergação em eventos do colégio.
Quanto à participação nas atividades, Filla informa que os mais velhos são os mais desinibidos, ao contrário dos jovens (na faixa de 20 anos), que demonstram ter vergonha, principalmente de dançar. ''Eles dizem que não querem 'dar mico' e resistem. Já as senhoras, principalmente, são muito ativas e dizem que certas danças são como uma volta ao passado para elas'', conta. Para ter maior êxito, o professor conta com o auxílio de estagiários da UEL.
Fazendo um paralelo com o outro público que atende de dia - os adolescentes - Filla garante ser muito mais gratificante trabalhar com os mais velhos. ''A responsabilidade dos adultos é bem maior, porque já aprenderam com a vida. Já os adolescentes não têm o que fazer, não trabalham e ainda por cima fazem corpo mole quando pedimos alguma coisa extra a eles'', reclama.


