FALA, PROFESSOR - Qualidade de vida para deficientes intelectuais
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quarta-feira, 01 de dezembro de 2010
Renato Oliveira<BR> Reportagem Local 
A identificação com determinado tipo de causa social pode ser o ponto crucial na hora de um profissional optar por esta ou aquela área de atuação Dentro da educação física, lidar com jovens e crianças portadoras de deficiências muitas vezes é um tema cativante, mas que requer dedicação e paciência até do mais bem aventurado educador
Assim procedeu o professor Valderi Félix, o Birigui, que desde os tempos de estágio do curso de educação física, quando ainda fazia a faculdade, resolveu abraçar a causa de pessoas com dificuldades intelectuais e físicas Há seis anos, ele atua no Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), onde foca o trabalho em alunos com deficiência intelectual
Birigui explica que qualquer tipo de má formação que atinja o funcionamento do cérebro pode culminar em atrasos no sistema de desenvolvimento motor, dificultando caminhadas ou qualquer outro tipo de deslocamento Quando atinge funções ligadas ao equilíbrio prejudica, por exemplo, a capacidade de manter-se em pé ou executar atividades simples como levantar e abaixar
''O usual das minhas aulas não é formar para-atletas, mas sim contribuir para melhorar a qualidade de vida dos deficientes Devido a fatores sociais eles não têm onde praticar exercício físico e a escola acaba sendo a opção'', contextualiza
Na prática, Birigui utiliza as aulas para trabalhar a marcha (capacidade de caminhada) e o equilíbrio dos deficientes intelectuais, semelhante a sessões de fisioterapia ''Para o cadeirante é utilizado o alongamento por causa do encurtamento dos membros'', exemplifica
O professor aconselha a prática constante de exercícios físicos como requisito básico para vencer as limitações da deficiência intelectual ''Os assíduos nas aulas de educação física se soltam cada vez mais'', observa, frisando que aos poucos eles percebem que possuem capacidade parecida com quem não é deficiente
''Acredito que o exercício físico exerce papel imprescindível para melhorar as capacidades motoras, afetivas e social dos deficientes'', defende
Mas mesmo depois de deixar o organismo calibrado para levar uma vida sem as severas limitações das deficiências, a parte dos relacionamentos pesa na hora do convívio em sociedade ''Na verdade, quem se assusta são pessoas sem deficiências, mas muitos se acostumam com o tempo As crianças especiais não possuem preconceito É até bom que elas se entrosem com os demais'', pontua


