O noticiário esportivo foi tomado nos últimos dias por informações trágicas. Três atletas morreram de forma muito similar: sofreram um mal súbito quando iniciavam o aquecimento, chegaram a ser socorridos, mas não resistiram.
O jogador de futsal Messinho, 37 anos, ex-seleção brasileira, havia começado o aquecimento para o jogo de seu time, o Vale do Sol contra o AGE, pelo Campeonato Gaúcho, quando se sentiu mal. Ele recebeu atendimento médico no ginásio, foi levado para o hospital, mas não sobreviveu. A história é a mesma ocorrida com o lutador de taekwondo Murilo Penitente, morador de Marília (SP), 20, e com o ex-zagueiro da seleção japonesa de futebol, Naoki Matsuda, 34.
A morte súbita em atletas, no entanto, não é algo recorrente apenas no século XXI. Segundo a mitologia grega, Pheidippides correu de Maratona até Atenas com a tarefa de anunciar a vitória dos gregos sobre os persas e morreu ao dar a feliz notícia ao povo ateniense. Provavelmente este foi o primeiro relato de morte súbita relacionada ao exercício físico que se tem notícia.
De acordo com o cardiologista Ricardo Rodrigues, do Centro do Coração de Londrina, a morte súbita é um evento inesperado, natural, não traumático, de evolução rápida, com parada cardiorrespiratória e morte, instantaneamente ou até 1 hora após o início dos sintomas. 'Com base em inúmeros estudos relacionados a este tema, pode-se dizer que a grande maioria das pessoas que morrem subitamente durante a atividade física possui uma doença cardíaca que justifica a sua morte''.
O médico enaltece que o exercício físico não deve ser encarado como único responsável pelo evento da morte súbita cardíaca em atletas, mas sim como coadjuvante em um sistema complexo que envolve uma patologia preexistente, por vezes silenciosa, e um momento crítico, o qual altera o equilíbrio de forma a iniciar a cadeia de eventos que culmina com a morte súbita.
Rodrigues frisa que a maioria dos episódios de morte súbita ocorre em ambiente não hospitalar, cujo tempo para atendimento e desfibrilação é inversamente proporcional à chance de sobrevida e recuperação. ''Em caso nos quais o acesso aos desfibriladores ocorre no período entre cinco a sete minutos após a parada cardíaca, a sobrevida é maior que 49%'', acrescenta. O especialista ressalta que a taxa de sucesso da recuperação reduz em 10% a cada minuto após o início da parada cardíaca.
Ele afirma ser mito a informação de que somente indivíduos idosos têm arritmias cardíacas e podem sofrer morte súbita. ''A maioria das vítimas de morte súbita se encontra em idade mais produtiva. Esses males podem ocorrer em qualquer faixa etária, mesmo em recém-nascidos. A maior porcentagem de ocorrência está em pessoas que possuem doenças cardíacas ou já sofreram parada cardíaca, bem como naqueles que têm histórico de doenças na família'', explica Ricardo Rodrigues. ''A morte súbita cardíaca é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, acometendo mais de 200 mil pessoas/ano só nos Estados Unidos e 712 pessoas/dia no Brasil''.
Para aqueles que não são atletas profissionais, antes de iniciar uma atividade física, é fundamental procurar um cardiologista para realizar os devidos exames, como teste de esforço e eletrocardiograma. ''Auxiliado pelo resultado dos exames, o médico é capaz de definir o exercício a ser realizado'', finaliza Rodrigues.

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