FALA, PROFESSOR - Divergências cercam os termos científicos
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Renato Oliveira<BR>Reportagem Local 
A terminologia é fundamental para o entendimento de qualquer assunto. Semelhante às demais áreas do conhecimento, na educação física não são poucos os enganos envolvendo uso de termos entre professores e alunos. Porém, quando é necessário deixar o preciosismo de lado para manter uma comunicação mais eficaz?
O docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Abdallah Achour Júnior, responde que antes de se definir a utilização de qualquer termo é necessário um consenso entre membros de uma sociedade de pesquisadores. Como exemplo, ele lembra que num primeiro momento se utilizava a palavra aeróbia, e devido ao uso prático de outro termo, aeróbica, ocorreu a mudança.
Outro exemplo corriqueiro é a confusão que muitos fazem entre o termo atividade física e exercício físico. Enquanto a primeiro envolve ''todo movimento que se faça acima do nível basal'', o segundo é a ''expressão de exercícios programados, com início, meio e fim''. ''Uma mera conversa já é uma atividade física. Sair para correr para caminhar ou correr é exercício físico'', diferencia.
Outro recordista em divergências é o termo exercício funcional. Segundo ele, a essência das duas palavras indica que seu significado é ''exercício com função específica''. ''Hoje é mais uma questão de modismo'', resume ele, sobre o significado prático do exercício com vistas no desenvolvimento da musculatura primária.
Os termos relaxamento e alongamento, apesar de distintos, também fazem confusão na cabeça de esportistas. Depois de uma série de exercícios, ele conta que é comum escutar as pessoas dizerem ''vamos fazer o relaxamento''.
''Relaxamento é aquilo que se sente no final da aula. É colocar a mente em conexão com o músculo. E não o exercício de encerramento, que é alongamento'', esclarece.
Mas o campeão das polêmicas do quesito terminologia é na hora de escrever artigos para jornais ou revistas. Ele acredita que especialistas, mestres e doutores ''não podem ser muito verborrágicos''. ''Mas também não precisa cair no descrédito. Se a palavra malhar pode ser entendida por um adolescente, por um adulto pode ter outro sentido. Não dá para deixar de falar os termos corretos'', diferencia.
Na opinião do professor, utilizar termos coloquiais no dia a dia não é errado, mas pode empobrecer o texto. Por outro lado, o uso de termos muito técnicos pode complicar o entendimento de leitores de jornais e outros tipos de interlocutores.
''Um jornal não é lido apenas pela massa. Uma matéria pode ser lida por um médico e por um operário. Esse meio termo a gente deve preservar. Não dá para usar o termo 'abrir as pernas' e nem 'abdução de quadril'. Falar 'afastamento de pernas' já resolve. Isso deixa a informação mais elegante e atende aos dois públicos'', conclui.


