FALA, PROFESSOR - Alunos especiais ainda enfrentam obstáculos
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sexta-feira, 05 de novembro de 2010
Renato Oliveira<BR>Reportagem Local 
A migração dos alunos de escolas especiais para o ensino regular tem sido gradual no Paraná. Implantada pelo Ministério da Educação (MEC) em diversos estados neste ano, as Associações de Pais e Alunos Especiais (Apaes) apoiam a iniciativa do governo. Porém, o Paraná ainda é o único que mantém tal modalidade de ensino que passa por um importante período de reformulação.
Segundo a psicóloga Marina Ortega Pitta, neste ano um número significativo de alunos migrou das escolas especiais para estaduais e municipais depois de selecionados em processos de avaliação. ''Houve mudanças acentuadas como o aumento no número de alunos'', pontua ela, que atua junto ao setor de educação especial do Núcleo Regional de Ensino (NRE).
O ponto crucial da inclusão dos alunos especiais é o atendimento individual. Nas aulas de educação física, por exemplo, Marina observa que o ''Núcleo não recebeu'' queixas de professores com dificuldades. ''Eu acredito que não esteja acontecendo, senão já teriam vindo perguntar. Quando há dificuldade, os professores procuram ajuda'', afirma.
Parte desta tranquilidade na hora da adaptação se dá em função do processo de triagem realizado com os alunos especiais. ''É levado a sério a preferência pela rede pública de ensino, mas para aqueles alunos que realmente têm necessidade da escola especial estamos mantendo o atendimento. Depois de passado por uma reformulação estrutural, elas transformaram em escola de educação básica na modalidade educação especial'', argumenta.
Porém, aqueles jovens com dificuldade em função dos quadros de deficiência física encontraram problemas relacionados à acessibilidade. ''Quando se pensa em rampas e portas mais largas para cadeiras de rodas ou banheiros adaptados ainda não tem. Falta ainda equipamentos, materiais ou recursos que dizem respeito à acessibilidade física'', ressalta Marina.
A resistência dos professores diante de uma situação nova é outro obstáculo encontrado pela migração dos alunos especiais. Marina explica que muitos não são especializados para trabalhar com o público com este perfil. ''Mas alguns buscam formação específica em educação especial'', completa.
Por outro lado, Marina observa que por mais preparo que o profissional tenha, na hora de colocar em prática existe o velho problema da diferença entre teoria e prática. ''Por mais que você tenha conhecimento, na hora de se deparar com aquele aluno é que vai aprender realmente como proceder. Por isso é preciso saber identificar as necessidades e fazer um trabalho individualizado'', finaliza.


