Fair Play Financeiro acaba com era da mentira, diz Bellintani
CBF anunciou nova medida em evento na sede da entidade; clubes terão período de adequação e não poderão gastar mais do que arrecadam
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quarta-feira, 12 de novembro de 2025
CBF anunciou nova medida em evento na sede da entidade; clubes terão período de adequação e não poderão gastar mais do que arrecadam

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, na última terça-feira (11), no auditório da entidade, no Rio de Janeiro, a conclusão da primeira etapa do projeto de Fair Play Financeiro, que estabelece regras de sustentabilidade econômica para os clubes do país. A apresentação ocorreu durante a última reunião do Grupo de Trabalho (GT) criado para discutir o tema, e contou com representantes de clubes, federações, profissionais independentes e da consultoria contratada pela CBF.
O modelo proposto será implantado de forma gradual a partir de janeiro de 2026 e prevê que, até 2029, os clubes deverão limitar os gastos com remuneração e amortização de atletas a, no máximo, 70% da receita. Além disso, o endividamento de curto prazo não poderá ultrapassar 45% da receita, com aplicação plena também em 2029.
Nas redes sociais, Guilherme Bellintani, dono da Squadra Sports, SAF do Londrina Esporte Clube, aprovou o anúncio e elogiou a iniciativa da CBF. “Eu chamo de início da ‘era da verdade’. Acaba a era da fantasia e da mentira, da enganação, em que clubes contratam e não pagam, e os credores acumulam dívidas ao longo dos anos, inclusive com jogadores de futebol”, declarou o dirigente.
O modelo prevê fiscalização permanente sobre folha salarial e contratações, com monitoramento mais rígido a partir de abril de 2026. Clubes que desrespeitarem as normas estarão sujeitos a punições progressivas, que vão desde advertências e multas até retenção de receitas, restrição de inscrições de atletas, perda de pontos, rebaixamento ou cassação de licença.
Para equipes em recuperação judicial, o regulamento estabelece regras específicas. A folha de pagamento não poderá superar a média dos três meses anteriores ao início do processo, e novas contratações só poderão ocorrer se houver arrecadação equivalente em vendas, ou seja, o clube só poderá comprar se vender.
Bellintani destacou que o novo sistema chega em um momento oportuno para o futebol brasileiro. “Em 2024 e 2025, os clubes bateram recordes de receita, os que estão na Liga Forte União anteciparam verbas de 50 anos, venderam jogadores, receberam recursos de SAFs, mas poucos investiram em infraestrutura ou pagaram dívidas. No mesmo período, as dívidas aumentaram 22%, mesmo com recorde de arrecadação. Ou seja, o Fair Play Financeiro vem dois anos após esse ‘boom’ e traz uma mensagem clara: o crescimento de receita não gerou eficiência nem sustentabilidade. Esperamos que as receitas continuem crescendo, mas agora com qualidade no gasto, o que considero fundamental”, afirmou.
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Pelo modelo, os clubes terão de quitar novas dívidas com credores relevantes até janeiro de 2026, enquanto os débitos antigos deverão ser regularizados até novembro do mesmo ano. A partir de 2028, as equipes precisarão apresentar equilíbrio operacional, com receitas relevantes iguais ou superiores aos custos.
Inspirado nas normas aplicadas pela UEFA, o projeto foi adaptado à realidade financeira dos clubes brasileiros e passará por um período de transição até 2028, quando todas as regras entrarão em vigor de forma definitiva. “Vamos ver se o Fair Play Financeiro vai ser aplicado de fato. Se for, será histórico para o futebol brasileiro. Inicia-se a ‘era da verdade’, em que as mentiras ficarão explícitas e as verdades vão aparecer”, concluiu Bellintani.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.





