São Paulo - Fabíola Almeida de Souza queria ser atacante, função na qual atuou até 2001, quando o técnico Bernardinho propôs que fosse levantadora na seleção juvenil. Ela topou o desafio e vem provando que tem talento para superar dificuldades. No Mundial do Japão, agora com o time adulto, substituiu Dani Lins no meio do campeonato e foi alvo de críticas pela derrota da equipe para Rússia. ''Faltou uma boa levantadora, como a Fofão'', foi o que ela mais ouviu, indiretamente, após o fracasso. Fabíola reconhece que sua antecessora está mesmo em outro patamar, ainda inalcançável para ela. ''Fofão é como se fosse o Ronaldo do vôlei'', compara.
E foi da ex-levantadora que Fabíola recebeu apoio durante o torneio. ''Tenho carinho especial por ela. No Mundial ela mandou e-mail para mim e para todas as outras jogadoras, apostando na gente'', lembra.
A amizade com a musa vem de tempos atrás - Fabíola foi reserva de Fofão no Minas Tênis Clube durante três anos. E prova que tem paciência para lidar com o tempo. Ela conta que demorou para se adaptar à nova função de levantadora. Teve, por exemplo, de ficar um ano treinando, e ainda acha que lhe falta experiência para o principal posto da equipe na quadra. ''Levanto há apenas 10 anos. É pouco para uma levantadora. A Fofão foi um ícone na seleção, já eu e a Dani somos de uma geração diferente e ainda precisamos de anos de trabalho.''
A oportunidade de virar titular no Mundial foi encarada como natural, uma opção de jogo do técnico José Roberto Guimarães. E por isso Fabíola já esperava pela pressão que poderia enfrentar. ''O julgamento é natural. Mas ainda tem muita coisa para acontecer e sei que posso buscar meu espaço na seleção.''
Mesmo criticada, ela encarou o vice-campeonato como uma medalha de ouro em sua carreira. ''Foi uma experiência única, um sonho realizado na minha carreira. E se o título fosse para ser nosso, seria.''
O tom de resignação e tranquilidade ao falar dos problemas mostra sua forte ligação religiosa - Fabíola é pastora e ao lado da outra levantadora do Pinheiros, Karine, comanda a oração no vestiário antes dos jogos. ''Peço para Deus tranquilidade e força nos momentos difíceis.''

mockup