São Paulo - Fabiana Murer nem competiu no Pan-Americano de São Domingos, em 2003. Quatro anos mais tarde e após cursar a ''escola'' Vitali Petrov, o técnico russo que levou Serguei Bubka a 34 recordes mundiais no salto com vara, disputa o Pan do Rio como favorita. Fabiana fez enorme esforço, em vão, para alcançar o índice em 2003. Para integrar a seleção precisava saltar ao menos 4,15 m, marca alta para quem, na época, tinha 3,91 m como marca pessoal. O salto com vara não teve atleta brasileiro no Pan dominicano.
Será uma estreante em Pan-americanos no Rio, em julho. Mas na condição de 3. no ranking mundial de pontos do atletismo e como recordista sul-americana do salto com vara (4,66 m). Tem patrocínio e um jogo completo de 11 varas de fibra de vidro, todas do mesmo fabricante, um luxo para quem usava o material disponível há bem pouco tempo.
Fabiana entrou na escola de Vitali Petrov no fim de 2001 e ainda hoje aprende, em várias clínicas e campings de treinamentos, no Brasil e na Itália. ''Eu mudei radicalmente em tudo aquilo o que fazia e foram dois anos até começar a conseguir resultados'', explica a aluna de Petrov. A partir do método do russo, incorporado pelo seu treinador, o brasileiro Elson Miranda, Fabiana viu a carreira decolar, como o salto.
''Em 2003, bati o recorde brasileiro, que era 4,06 m e as coisas começaram a melhorar. Fui assimilando a técnica e minha grande evolução veio no ano passado, quando melhorei o salto em 26 centímetros'', diz Fabiana, 25 anos, 1,72 m e 57 kg.
O resultado do Grand Prix de Belém, em maio de 2006, abriu o caminho do circuito internacional para Fabiana, que agora tem agente - a russa Valentina Fedjoschina agenda as provas do calendário. ''Em 2006, minha vida mudou radicalmente.''
Desde o salto em Belém, de 4,55 m, até o fim da temporada foram três recordes sul-americanos quebrados e um igualado. Saltou, na sequência, 4,55 m, 4,56 m e duas vezes 4,66 m. Foi em 2006 também que, pela primeira vez, entrou num estádio lotado para um evento importante, uma prova da Golden League, em Paris. Fez o Super Grand Prix de Lausanne, os GPs de Madri, Mônaco e Bruxelas, a Final Mundial do Atletismo, em Stuttgart, e a Copa do Mundo. ''Meu melhor resultado foi o ouro, com os 4,66 m, de Mônaco, sem a Yelena Isinbayeva (recordista mundial). Em Bruxelas fui segunda, com 4,66 m novamente e em Atenas, na Copa do Mundo, com 4,55m - ela (Isinbayeva) saltou 4,60 m.''
Nos dois meses em que passou na Itália, em janeiro e fevereiro, em mais um período de treino com Petrov e dessa vez com Isinbayeva, Fabiana aproveitou para aperfeiçoar ainda mais a técnica, antes de bater o recorde sul-americano indoor, com 4,66 m. Isinbayeva, que já salta 5,01m, está com Petrov há um ano e meio, também se adaptando à técnica.
''A Isinbayeva nem sempre consegue fazer tudo o que ele pede, mas achou um caminho. Enquanto estivemos juntas, na Europa, acho que foi importante uma ver como a outra estava usando a técnica. Não é muito fácil compreender o que o Vitali pede, fala muito em direções.''
Uma medalha pan-americana é prioridade, mas Fabiana não pode dispensar as provas do circuito da Golden League, onde está a elite do atletismo, e nem o Mundial de Osaka, no Japão, logo após o Pan do Rio.

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