Fã põe à venda suposta camisa de Pelé
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Valmir Denardin 
Uma suposta camisa de Pelé, junto com um conjunto de quatro selos do milésimo gol do Atleta do Século - ambos autografados -, estão sendo vendidos por um comerciante de Foz do Iguaçu. Preço: R$ 20 mil, valor de um apartamento popular de dois quartos. A oferta está nos classificados de um jornal da cidade.
Antônio Freire Diogo, de 45 anos, dono de um minimercado, diz que as duas relíquias foram um presente de Pelé a sua mulher, Sandra Regina Diogo, hoje com 37 anos. Meu sogro era carteiro no bairro de Santos (SP) onde o Pelé morava. Tinha amizade com a família dele. Quando minha mulher nasceu, em dezembro de 1961, Pelé prometeu dar um presente, conta Diogo.
O jogador, na verdade, acabou entregando dois presentes. O mais importante deles é a legendária camisa 10 do Santos, dada em 1963. Sobre o distintivo, já aparecem as duas estrelas douradas que marcam o bicampeonato mundial de clubes do Santos (1962/63). O autógrafo (acompanhado da expressão do amigo) não é datado. Segundo Diogo, Pelé usou a camisa em um jogo na Vila Belmiro, válido pelo Campeonato Paulista.
O segundo presente veio seis anos depois, em 1969. São quatro selos lançados pelos Correios para comemorar o milésimo gol de Pelé. Além da assinatura, está escrito a data: 8/12/69.
Português, Diogo foi criado em Santos, como a mulher. Entre 66 e 67, chegou a jogar no juvenil do Santos, mas foi proibido de continuar no futebol pelo pai, depois de ser reprovado na escola. Formou-se eletromecânico e, em 1980, mudou-se, já casado, para Foz do Iguaçu, para trabalhar na construção da Hidrelétrica de Itaipu.
Diz que quer vender as relíquias porque precisa de dinheiro para comprar um apartamento para a filha, Marina, de 17 anos, que se casou há um ano e hoje tenta a vida com o marido na Alemanha. O casal quer voltar ao Brasil em poucos meses e Diogo quer dar de presente um apartamento. Vale mais um lugar para morar do que guardar a camiseta na gaveta, pondera o comerciante, que tem casa própria e outros dois filhos solteiros.
Segundo Diogo, já apareceram sete ou oito interessados, mas ninguém com o dinheiro suficiente. Acho que deverá interessar mais a um colocionador ou fã-clube. Ele diz estar disposto a submeter os dois materiais a um teste de autenticidade, se o comprador exigir. Interessados podem telefonar para (045) 524-2361.


