F3 se reestrutura em busca de novos talentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
A mais nova categoria do automobilismo brasileiro criada este ano surgiu com o objetivo de dar mais quilometragem e aprendizado aos jovens pilotos do país. A Fórmula 3 Brasil, que substitui à extinta Fórmula 3 Sul Americana, é passagem obrigatória em busca de voos maiores no automobilismo internacional.
O primeiro ano da nova categoria terá oito etapas, sendo que a quarta acontece neste fim de semana em Interlagos. Na segunda-feira e ontem, alguns pilotos se prepararam para as duas corridas em São Paulo treinando no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina. A categoria é divida em F3 A, a principal, e F3 Light.
Com a reformulação da categoria e com custos menores, a Fórmula 3 tem atraído pilotos recém-saídos do kart e alguns que já disputaram competições na Europa e nos Estados Unidos. Um dos destaques é Pedro Piquet, filho do tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet. Pedro ganhou todas as corridas da categoria principal e lidera o campeonato com 90 pontos.
A primeira grande diferença entre a antiga e a nova F3 dá para se notar no grid. Nos últimos anos, a Sul Americana tinha entre oito e nove carros largando, enquanto a Fórmula 3 Brasil conta com mais de 15 carros. Para Interlagos, estão inscritos 19.
"Com um custo/benefício menor do que na Europa e com um grid cheio, a Fórmula 3 brasileira é passagem obrigatória para os novos pilotos. O nível da categoria está muito competitivo e com isso a chance de surgiram grandes pilotos é maior", aponta Rafael Suzuki, atualmente piloto da Stock Car e consultor técnico de Matheus Iorio.
O paulista de 16 anos disputa o primeiro ano com um carro de fórmula e tem usado a competição como aprendizado para no futuro buscar um espaço no automobilismo europeu. "A disponibilidade de poder fazer muitos treinos tem sido fundamental para aprender. Com mais patrocinadores e incentivo a categoria cresceu este ano e isso abre possibilidades para se buscar algo grande lá na frente", ressaltou Iorio. Matheus é vice-líder da categoria Light, com 35 pontos.
Já Lukas Moraes, de 18 anos, fez o caminho inverso. Após um ano e meio na Itália, treinando na Fórmula Renault e Fórmula 3, o piloto de São Paulo decidiu voltar em virtude do crescimento da categoria no Brasil. "A F3 brasileira hoje só perde em carros no grid para a europeia e a espanhola. Os carros aqui são muito parecidos com os de lá, mas a vantagem é que no Brasil temos treinos ilimitados e isso permite mais quilometragem", frisou Moraes, atual quinto colocado na categoria principal, com 36 pontos.
Os jovens pilotos têm o mesmo pensamento: com o fortalecimento das categorias nacionais as chances do surgimento de grandes pilotos brasileiros aumentam. "Temos muitos pilotos hoje na Europa e com competições internas melhores isso vai aumentar ainda mais", apontou Moraes. "Já tivemos momentos melhores, mas não está tão ruim assim. Com investimentos, a tendência é surgir novos nomes", relatou Iorio.


