F-Truck estréia no Ceará com temperatura elevada
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de abril de 2006
Reportagem Local 
Mesmo estando em sua fase inicial, a temporada 2006 do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck terá momentos decisivos na tarde de hoje. Pilotos e equipes estão preparados para o que pode se consolidar como a maior sucessão de novidades da categoria nos últimos anos, na segunda etapa. A prova será disputada, a partir das 12h30, no Autódromo Internacional Virgílio Távora, em Eusébio, cidade da região metropolitana da capital cearense Fortaleza, com transmissão da TV Bandeirantes.
Exceção feita à gaúcha Santa Cruz do Sul, inaugurada em junho do ano passado, a pista de Fortaleza é a única para onde a Truck ainda não havia levado seu espetáculo. A operação que viabilizou a realização do evento mobilizou um pequeno exército de operários nas obras no circuito, que recebeu melhorias em segurança e infra-estrutura. O traçado para a F-Truck foi reduzido a pouco mais de 1,8 quilômetro e será praticado no sentido horário.
Na pista mais curta dos 11 anos de história da categoria, a corrida terá 60 voltas, o dobro do número estipulado para as outras praças que recebem as corridas. Sob tais condições, a expectativa é de tráfego intenso desde as voltas iniciais, com os líderes negociando ultrapassagens com retardatários. ''Quem lidar melhor com isso vai levar vantagem'', diz o paulista Roberval Andrade, vice-líder do campeonato. ''Teremos ultrapassagens quase do começo ao fim''.
Roberval, piloto da Scania, é um dos protagonistas da disputa pelo título, cujo esboço começará a receber retoques a partir da etapa cearense. Ele ficou em segundo na corrida de 19 de março em Caruaru, depois de largar da pole-position. O paranaense Leandro Totti, da Ford, venceu aquela corrida, mesmo tendo saído da pista a duas curvas da bandeirada final, traído pela tempestade que desabou sobre o autódromo nos últimos cinco minutos da disputa.
A vitória é o único resultado na mente do tricampeão Wellington Cirino, terceiro colocado na primeira corrida, para a etapa cearense. ''Quero acrescentar mais um dado as estatísticas e vencer a primeira corrida de Fortaleza'', explana Cirino. A concentração também poderá definir a corrida na opinião do campeão. ''Serão muitas voltas e isto pode tirar a concentração. Um erro, por pequeno que seja, pode custar muito caro'', observa Cirino.
Calor Se em Caruaru a chuva representou uma dificuldade para os pilotos, em Fortaleza as maiores preocupações são voltadas ao calor. Com as temperaturas ambientes próximas da casa dos 40 graus centígrados, o preparo físico de cada piloto deve constituir um outro fator decisivo para o resultado da corrida. ''A cabine do caminhão, nesse tipo de situação, costuma virar um forno'', compara o paulista Vinícius Ramires, quarto na classificação do campeonato.
Sob calor tão intenso, um piloto chega a perder 2% de seu peso durante a prova. ''Em Caruaru, eu perdi mais de um quilo e meio'', testemunha Ramires. ''Do momento em que você põe o cinto e vai para a pista até o final da prova, fica no caminhão por uns 100 minutos, suportando uma temperatura que, em Fortaleza, deverá passar dos 60 graus'', calcula. ''Se o piloto não tiver um bom preparo físico, não consegue nem trocar as marchas nas últimas voltas''.


